quarta-feira, 13 de julho de 2016

Lançamento da obra "Vida do Campo"

 Uma vez mais, os meus parabéns à livraria Leya Solmar pela promoção deste evento – apresentação do livro “Vida no Campo” – e, claro está, ao Joel Neto pelo excelente trabalho desenvolvido! (Por comodidade, pelos 11 min...)
Clicar aqui:

terça-feira, 21 de junho de 2016

De novo o ProSucesso



A propósito da publicação do Despacho Normativo n.º22/2016 de 17 de Junho de 2016, onde a Secretaria Regional de Educação e Cultura dos Açores regulamenta o programa “Apoio mais – retenção zero”, e porque se considera, uma vez mais, que assim se estão “a preparar cidadãos do século XXI”, reitero o que escrevi em maio de 2015, aquando a discussão pública do Plano Integrado de Promoção do Sucesso Escolar - ProSucesso:


“(…) Enquadrado neste primeiro eixo, os autores partem da premissa de que “As dificuldades de aprendizagem conduzem (…) ao insucesso escolar, à retenção e ao consequente (…) desinteresse por parte dos alunos com desempenhos mais fracos, com o risco de posterior abandono escolar (…) ”, para se concluir que “a retenção per se não é uma estratégia efetiva de intervenção no sentido de melhorar os resultados (…) a retenção não aparenta beneficiar os alunos a nível académico”. Neste sentido, sugere o documento que a retenção seja utilizada apenas em casos extremos. Ao contrário do que se afirma, a retenção pode e deve funcionar como agente dissuasor de comportamentos de risco, como sejam a falta de estudo e/ou comportamentos desviantes dos ditos regulares. Um discente terá de ter sempre presente que, se não cumprir com as suas obrigações, correrá o risco de ficar retido. Não esqueçamos nunca que a função da escola não se esgota na mera transmissão de conteúdos; nela o aluno deverá encontrar mecanismos que possibilitem a sua formação enquanto cidadão cumpridor e responsável, integrado numa sociedade onde terá de assumir todas as consequências dos seus atos. Por conseguinte, refuto por completo o programa “apoio mais – retenção zero”, proposto pelo documento no rol de projetos específicos.(…)”

sábado, 16 de abril de 2016

Ainda a polémica sobre o Cartão de Cidadão!

O Bloco de Esquerda é o partido mais surpreendente da Assembleia da República (e, quiçá, mesmo fora da AR, incluindo os agrupamentos dos Srs. Marinho Pinto e Manuel Coelho, se ainda os têm). Para começar, não se chama Partido, mas sim Bloco, como aqueles grupos mais pequenos do Carnaval carioca, que não têm massa crítica para se chamar Escolas. Sendo um partido que dá pelo nome de Bloco, também é surpreendente que seja dirigido por mulheres, situação inédita nas democracias (e ainda mais nas ditaduras), o que muito incomoda comentadores como o Sr. Pedro Arroja, que as acha desagradáveis, ou como o Sr. César das Neves, que só as quer na cozinha. Mas adiante.

Uma coisa surpreendente no Bloco são algumas das suas atitudes. Como afirmar que Jesus Cristo tinha dois pais, quando toda a gente estava convencida que Jesus Cristo tinha uma mãe e um pai. Quer dizer, até podia ter um pai e um amigo do pai; isso é discutível e, quiçá, blasfemo discutir, mas uma mãe teve com certeza, virgem ainda por cima. Adiante, outra vez.
Outra coisa surpreendente no Bloco são as propostas que faz e, ainda mais, a fundamentação dessas propostas.
Por exemplo, a que acaba de ocorrer: um projecto de resolução para mudar o nome do Cartão de Cidadão para Cartão de Cidadania, porque "não respeita a identidade de género de mais de metade da população portuguesa". (…) "a designação não deve ficar restrita à formulação masculina, que não é neutra, e deve, pelo contrário, beneficiar de uma formulação que responda também ao seu papel de identificação afectiva e simbólica, no mais profundo respeito pela igualdade de direitos entre homens e mulheres".
Percebemos agora, através desta proposta fracturante, como eram segregacionistas os pergaminhos da República. Mas, é claro, estamos sempre a tempo de aperfeiçoar a Constituição e todos os diplomas oficiais. Temos é que ir mais longe. Por exemplo: Cartão também é uma palavra masculina. Seria talvez melhor chamar-lhe cartolina. Cartolina da Cidadania soa bem, mas aí temos dois femininos, o que seria discriminação inversa. Poderá então ser Cartão de Cidadania ou Cartolina do Cidadão. Um referendo – ou uma referenda - resolvem a questão a contento de todos.
Mas os homens – que os há, e muitos, no Bloco e em toda a parte – também vão começar a protestar contra a indecência das palavras importantes que são femininas como, por exemplo, humanidade, consciência, ética, estética, saúde, revolução, luta e esquerda. Certamente que se encontrará masculino para todas estas palavras.
Este terrível problema, da parcialidade do género, já aliás foi levantado por uma precursora, por sinal da mesma área politica do Bloco, a Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff. Em vão lhe tentaram explicar que presidente é aquele que preside e portanto, não sendo derivado de um substantivo, mas sim de um verbo, não tem género. Ela quis, quis, e ficou Presidenta. Se calhar é por isso que agora querem derrubá-la, vá-se lá saber. Talvez o Bloco devesse levar o precedente em consideração.
No meio deste importante debate, resta-nos o consolo de haver palavras que não levantam problemas, pois não se consegue detectar o género. Parvoíce, por exemplo.


José Couto Nogueira

http://24.sapo.pt/article/sapo24-blogs-sapo-pt_2016_04_15_501483366_
a-parvoice-do-genero-ou-a-generalidade-do-parvo#_
swa_cname=sapo24_share&_swa_cmedium=web&_swa_csource=facebook

sexta-feira, 11 de março de 2016

I Encontro Daniel de Sá

Seguramente uma forma ímpar de prestigiar não só a obra mas, sobretudo, o Homem! Muitos parabéns a todos os dinamizadores e conferencistas deste “I Encontro Daniel de Sá”.

Professores Luiz Fagundes Duarte, Leonor Sampaio da Silva e Madalena San-Bento, moderados pela professora Madalena Teixeira da Silva

Professores Urbano Bettencourt e Carlos Reis, moderados pela professora Ana Cristina Gil

terça-feira, 8 de março de 2016

8 de março




8 de março 

Hoje meus pensamentos chegam-me no feminino,
E vêm carregados de berço.
São densas, por isso, minhas memórias de ti!

                                                                                  (à minha maior rosa)
 

Ponta Delgada,
a 8 de março de 2015

terceto a Maria Rosa Nunes, 
a minha mãe

quarta-feira, 2 de março de 2016

Porque hoje é um dia importante…

“(…) talvez esteja preso à aura do professor Daniel, pelo que representou e representa na minha 'açorianização', ou 'ilharização', no caso de alguém já ter dito a primeira; talvez esteja agradecido pelo facto de ter proferido aquelas poucas palavras sobre a minha "Inês": sabendo que não era pessoa de grandes fretes, se as não quisesse ter dito, não as diria mesmo! Talvez esteja enamorado pela sua escrita, que é de inegável qualidade; talvez ainda não tenha, mentalmente, adotado outros autores [açorianos]; talvez ainda não tenha lido uns com atenção e outros definitivamente… Enfim, talvez tudo…"
 (excerto de uma carta enviada a um amigo comum,
a propósito de "O Pastor das Casas Mortas").)

A imagem publicada é retirada de uma edição recente do livro “Ilha Grande Fechada”, publicado pela Veraçor;

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

E eis que a extrema esquerda nos demonstra, uma vez mais, a sua falta de bom-senso!

Se já me mereciam pouco respeito pelo assalto ao poder que instigaram nas últimas eleições legislativas, e se já os censurava pelas políticas e iniciativas legislativas completamente irresponsáveis, agora perdem qualquer credibilidade ou, sequer, réstia de atenção.
Do meu ponto de vista, esta segunda geração de bloquistas não é mais do que um grupo de ganapos que se julga capaz de tudo, e para quem todos os meios são válidos.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Escolas chumbam novo modelo de avaliação dos alunos

Já não é apenas do Conselho Nacional de Educação (CNE) a dizê-lo, agora também o Conselho de Escolas (CE), vem alertar para os perigos da supressão das Provas Finais de Ciclo. Inevitavelmente, vejo um Ministério cada vez mais isolado, cada vez mais distante dos vários parceiros de educação. Não se augura, por isso, nada de benéfico para os nossos alunos!

"Conselho das Escolas quer a continuação do exame do 6º ano e provas de aferição só nos 4º e 8º anos.
Crítico e, afinal, com uma perspetiva contrária à defendida pelo ministro Tiago Brandão Rodrigues em relação ao fim dos exames. É este o tom do parecer do Conselho das Escolas (CE) em relação ao novo modelo de avaliação do ensino básico. O órgão consultivo do Ministério da Educação (ME) defende a manutenção dos exames do 6.º ano e provas de aferição só nos 4.º e 8.º anos. No parecer, feito a pedido da própria tutela e aprovado ontem, o órgão que representa as escolas mostra-se contra a aplicação das alterações já neste ano.
O documento que vai ser enviado ao ME, e a que o DN teve acesso, mostra que, ao contrário das afirmações públicas do ministro Tiago Brandão Rodrigues de que os diretores eram favoráveis a esta mudança na avaliação do básico e que percebiam a sua aplicação já neste ano letivo (ver fotolegenda), há reservas em relação a esta nova política de avaliação. No parecer, os conselheiros escrevem que "carecem de clarificação e explicitação os desígnios e as vantagens para os alunos, para o sistema educativo e para a Educação em geral, decorrentes do projeto de alterações em apreciação".
A análise à proposta que acabou com os exames dos 4.º e 6.º anos e criou as provas de aferição dos 2.º, 5.º e 8.º anos aponta ainda o dedo às constantes mudanças na Educação. "A estabilidade acrescenta valor ao sistema educativo, credibiliza-o e gera confiança nos profissionais da educação, nos alunos, nas famílias e na população em geral." Os diretores acrescentam que para essa "estabilidade, credibilidade e melhoria da qualidade do sistema educativo" é "desejável" que se mantenham as provas finais de ciclo nos 6.º e 9.º anos. Ao mesmo tempo mantendo as provas de aferição, mas desta feita apenas "em dois momentos ao longo do ensino básico: nos 4.º e 8.º anos".
Exames garantem exigência
O CE justifica esta posição com o parecer do Conselho Nacional de Educação que defendia a manutenção dos exames, lembrando que "as provas finais - porque contam para a avaliação final dos alunos - introduzem maior exigência no sistema educativo, mobilizam e corresponsabilizam todos os agentes escolares.
Por outro lado, as provas de aferição" têm outros objetivos como o acompanhamento do desenvolvimento curricular nas várias áreas disciplinares, informação detalhada sobre o desempenho dos alunos e a promoção de uma intervenção atempada para recuperar os alunos.
Para os responsáveis das escolas, a implementação das provas de aferição "não é incompatível com a manutenção das provas finais do 2.º ciclo do ensino básico, antes pelo contrário, complementam-se".
O CE defende, por isso, o papel complementar das várias modalidades de avaliação. Daí que os diretores revelem ao ministério "alguma preocupação" com "o facto de os alunos passarem por dois ciclos de estudos sem qualquer avaliação externa que certifique se desenvolveram ou não as aprendizagens definidas para cada um deles".
Aplicar? Nunca neste ano
Se mostram reservas com estas mudanças, os diretores são mais claros em relação aos tempos para uma aplicação das provas de aferição. "Quaisquer alterações a introduzir" no âmbito da "avaliação dos alunos não devem aplicar-se, nunca, no decorrer do presente ano letivo".
A decisão de o governo aplicar já neste ano as provas de aferição e acabar com os exames tem sido a crítica mais frequente. O ministro justificou esta decisão com a necessidade de pôr fim a um modelo que "era prejudicial" para os alunos. Mas as escolas têm reiterado que estas mudanças mexem com a vida dos alunos e começaram o ano a achar que não iam ter provas e a meio descobrem que sim. Além disso, as provas devem ser feitas no início de junho e ainda não são conhecidas as suas matrizes, atrasando o trabalho de preparação dos professores.
Os diretores votaram ontem este parecer sobre o novo modelo de avaliação que o ME apresentou a 8 de janeiro. Agora vão entregar as suas conclusões à tutela, sendo certo que esta não é vinculativa. Questionado pelo DN, o presidente do CE, José Eduardo Lemos, remeteu para hoje qualquer comentário. Já o Ministério da Educação garante apenas que o documento do Conselho das Escolas vai merecer mesma atenção que têm merecido os pareceres de outras entidades parceiras."

dn.pt

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

outra vez o "Plantador de Palavras Vendedor de Lérias"

Hoje reencontrei "O Anãozinho de São Jorge", conto da autoria de Vasco Pereira da Costa. Estive com o homem mais alto da Terceira (...) [e o] ser mais reduzido da Ilha dos Queijos, e devo dizer-vos que passei um bom bocado!
 
Não resisti, começa assim: 


 Vasco Pereira da Costa,  
Plantador de Palavras Vendedor de Lérias,
Câmara Municipal de Coimbra,
1984

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Um dia isto tinha que acontecer

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
- Por: Mia Couto
março || 2014

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Viestes todos, e ainda bem!





Viestes todos, e ainda bem!

Dia 29 de janeiro é também o dia do meu aniversário. Assinalo o meu nascimento e celebro a VIDA que me foi dada há já 36 anos.
Dispenso, desde sempre, a algazarra e a folgança, mas não abdico de celebrar intimamente o que torna a minha VIDA tão especial, tão exclusiva: a minha família (toda ela), a saúde, a paz, e vós – os amigos – que existis comigo e me ajudais a que tudo faça sentido.
Assim, o meu agradecimento por fazerdes parte, e um abraço dos maiores, onde cabeis todos!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

A Autonomia começa a funcionar...


Uma felicitação aos responsáveis pela Tutela que demonstram, desta forma, respeito por toda a comunidade educativa regional. (Resta, agora, assegurar a equidade na realização das provas nos diferentes estabelecimentos de ensino).




"Governo dos Açores mantém as provas finais no 9.º ano de escolaridade no ano letivo 2015/2016

O Governo dos Açores determinou que se mantém no ano letivo em curso 2015/2016 a aplicação das Provas Finais de Português e de Matemática no 9.º ano de escolaridade, mas não há lugar à realização de Provas de Aferição no 2.º, 5.º e 8.º anos de escolaridade.
Neste ano letivo, de acordo com a decisão do Secretário Regional da Educação e Cultura, é aplicada nas disciplinas de Português e de Matemática uma prova final de avaliação interna no 4.º e 6.º anos de escolaridade.
Esta decisão tem em conta que os alunos que agora estão no 4.º e no 6.º anos vinham a realizar um percurso em que era expectável uma avaliação no fim do ciclo e insere-se no âmbito dos princípios defendidos no ProSucesso, nomeadamente do rigor com a qualidade das aprendizagens e de uma avaliação interna também ela rigorosa e articulada entre os docentes de uma mesma disciplina.
A prova final de avaliação será elaborada por cada unidade orgânica ou escola de ensino particular e deverá ser realizada no 3.º período letivo, em data a definir pela escola, a todos os alunos que nela frequentam aqueles anos de escolaridade.
A classificação obtida nesta prova integra a avaliação sumativa interna do aluno, com uma ponderação entre 20 a 30%, a decidir pelo Conselho Pedagógico.
A decisão da Secretaria Regional da Educação e Cultura, tomada na sequência da comunicação do Ministério da Educação relativa ao Modelo Integrado de Avaliação Externa das Aprendizagens no Ensino Básico, visa garantir a necessária estabilidade e transparência que deve reger o processo de avaliação sumativa dos alunos, de modo que, desde o início, todos os seus intervenientes – alunos e respetivas famílias, professores e dirigentes escolares - conheçam as regras que vigoram, nesta matéria, ao longo de todo o ano escolar.
A partir do ano letivo de 2016/2017 serão aplicadas no sistema educativo regional as alterações previstas, a nível nacional, no Modelo Integrado de Avaliação Externa das Aprendizagens no Ensino Básico, nomeadamente as Provas de Aferição nos 2.º, 5.º e 8.º anos de escolaridade e as Provas Finais de 3.º ciclo."

GaCS/SREC/PB

imagem @google

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Rescaldo presidencial



A propósito das eleições presidenciais, devo confessar que fiquei bastante satisfeito com o epílogo de ontem. Foi uma noite de glória para o recém-eleito Presidente da República.
Marcelo foi, de longe, o melhor candidato entre o magote que se apresentou a sufrágio, e foi isso que dois milhões e meio de portugueses reconheceram nas mesas de voto: ganhou em todos os distritos e será, a partir do próximo mês de março, o Presidente de todos os Portugueses!
Ouvi-lo em pleno discurso de vitória foi também um verdadeiro gáudio, um prenúncio dos bons ventos que por aí nos acercam.
No entanto, não nos devemos esquecer que mais de 50% dos inscritos nos Cadernos Eleitorais virou as costas a mais esta eleição. Tem sido recorrente e, não tenho dúvidas, em breve ‘cairemos no ridículo’… É unânime: não é um exclusivo português. Mas também não há quem mostre vontade de travar este comportamento tão nefasto à vivência democrática. Lamentavelmente, são cada vez mais os cidadãos abstencionistas.
Outra questão que muito me preocupa (e entristece) é a percentagem excessiva alcançada pelas candidaturas que considerei menos aptas ao desempenho do cargo. Algumas, com toda a certeza, representarão casos sérios de estudo para os Sociólogos da nossa praça.
Por outro lado, e a propósito destas pretensões nominais – passe a designação – considero que, nas condições em que se apresentam, dificilmente podem trazer algo de novo ou útil ao debate. Salvo honrosas exceções, como foi o fenómeno de Manuel Alegre, em 2006, apenas atrapalham, causam estorvo e dispersão. Seria o desejável - o cidadão a concorrer per si aos cargos que o regem, poder-me-ão dizer que se trataria da Democracia em pleno funcionamento, mas, do meu ponto de vista, o apoio e/ou a representação partidária ainda continuam a ser fundamentais, mesmo numa eleição presidencial. Por outro lado, e felizmente, o nosso sistema partidário é hoje reconhecidamente vasto e plural, pelo que pouco se justifica a existência de tantos movimentos independentes, tão tímidos e acanhados, como os que disputaram ontem estas eleições.
De resto, alvíssaras, Sr. Presidente Marcelo!

Telmo R. Nunes
a 25 de janeiro de 2016

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Presidenciais 2016



A escassas horas do baixar de cortina desta campanha eleitoral rumo às presidenciais, já não me restam quaisquer dúvidas sobre qual dos candidatos se encontra em melhor posição para ocupar o cargo mais alto da hierarquia do Estado: o professor Marcelo Rebelo de Sousa.
Seria redundante descrever aqui e agora as excecionais qualidades individuais e políticas, que o colocam, com toda a naturalidade, muito além de qualquer um dos seus adversários. Não obstante, reconheço que esta decisão não foi fácil de conquistar…
Com efeito, assistimos uma campanha paupérrima a todos os níveis. Contaram-se, desde logo, candidatos a mais e alguns com manifesta incapacidade para tal. Houve, e exceção feita aos partidos mais à esquerda, um incompreensível e infeliz alheamento partidário que espero, não se torne recorrente! Houve, ainda, a questão dos debates em demasia, dos quais não senti que emergisse uma verdadeira discussão de ideias, que se indicassem soluções, nem tão-pouco que se descrevessem propostas concretas para o futuro. Em conformidade, a maioria dos candidatos - rendidos ao que desde há muito parece evidente - optou, em larga medida, por centrar a sua eloquência nas ‘fragilidades’ de um adversário, em detrimento de um discurso mais positivo, mais construtivo e, acima de tudo, mobilizador.
Para além de tudo isto, excetuando uma ou outra tomada de posição (risível, em alguns casos, e não me refiro às do pretendente de Rans), fiquei com a impressão de que os dois mais sérios candidatos ao cargo não quiseram defraudar as expetativas de nenhum dos quadrantes políticos, e optaram, de forma inglória, pelo discurso ameno, pelo posicionamento ‘assim-assim’, atalhando, irremediavelmente, as cisões e a disputa ideológica necessárias a qualquer campanha eleitoral. Ao invés, percebi em ambos um ‘piscar de olhos’, perverso e potencialmente comprometedor, ao voto de eleitorado que se diz e se quer divergente.
Não obstante, pelo extraordinário reconhecimento em outras lutas travadas, pela postura tantas vezes comprovada, pela cátedra que ocupa na vida política portuguesa e internacional, pelo apurado sentido de Estado e, essencialmente, pela aproximação de ideais, votarei responsavelmente em Marcelo Rebelo de Sousa.

No próximo domingo é nosso dever cumprir com este ato de cidadania, e espero que todos o possam fazer em consciência.





a 22 de janeiro de 2016