.::abatido::.
sábado, 12 de abril de 2014
quinta-feira, 10 de abril de 2014
in Açoriano Oriental
“Não serve de desculpa. Há pessoas em situações piores e não se metem
na droga, mas, como tenho experiência com droga, tenho este escape."
In publico.pt 25/08/13
Numa altura em que a pobreza
espreita a cada esquina, e o desemprego emerge de um momento para o outro; numa
época em que a depressão familiar e a inversão de valores se entranham pelas
frinchas mal calafetadas da vida e, num período em que o Estado Social parece
condenado ao desaparecimento, muitos têm sido aqueles que, caídos em desespero
e sem esperança de amparo, buscam na fugacidade de um consolo intrujão o
alienar dos problemas quotidianos. Partem na ânsia do esquecimento, na
esperança do reencontro com momentos prazerosos e, invariavelmente, aterram nas
agruras mais vis que se possam imaginar.
Fruto de toda esta conjuntura começa
a ser por demais conhecida, e até bastante alarmante, a massificação de
recaídas de muitos dos sobreviventes ao flagelo das drogas nos idos anos 80 e
90 do século passado, com especial incidência nos casos de heroinómanos.
Descobrir uma veia onde ainda
seja possível receber com aquele agrado
a fininha agulha e… deixar-se ir… partir numa jornada traiçoeira em busca da
doce euforia voltou a ser a rotina de milhares de pessoas.
Em Portugal, na época áurea
destes consumos, não obstante todas as políticas de combate (e algumas bem
agressivas, que resultaram mesmo em cisões sociais entre os que olhavam os
toxicómanos como doentes e os outros que os viam como meros criminosos), 1% da
população consumia ou consumira então heroína, pelo que encontrar uma família
onde esse flagelo não se fizesse sentir, revelava-se uma tarefa complicada.
Lia-se que a heroína não sendo exclusiva dos “feios, porcos e maus”, era uma
epidemia transversal à sociedade, agravada por todos os outros problemas
associados: absentismo escolar, roubos, tráfico, alcoolismo, VIH, hepatite C,
overdose… morte! Segundo João Goulão, – diretor-geral do Serviço de Intervenção
nos Comportamentos Aditivos e Dependências – “duas gerações foram dizimadas por
consumos descontrolados”, e muitas mais seriam desse-se o caso de não se
concluir atempadamente que a prevenção, assim como o acompanhamento destas
pessoas deveriam ser permanentes na agenda política do nosso país. Com efeito,
deu-se um pequeno brilharete: reduziu-se a percentagem de mortes por consumo de
heroína a 0,5% da população, o que provocou de imediato a vinda de
especialistas mundiais ao nosso país.
Na atualidade constata-se que o
número de novos consumidores de heroína não é significativo, – os novos
toxicómanos optam por um policonsumo que, não sendo tão agressivo como o da
heroína, levanta também algumas discussões bem urgentes – mas a questão
agudiza-se se nos cingirmos ao atual número de recaídas dos que há duas ou três
décadas atrás eram os junkies que
semeavam o medo pelas principais ruas das nossas cidades. Hoje, toxicodependentes
com 40 ou 50 anos de idade, assim como os seus médicos acompanhantes e outros
responsáveis, apontam a situação de crise económica como um dos principais
fatores para estas recaídas: o difícil acesso aos cuidados de saúde, e o fim de
alguns apoios têm dificultado em larga medida a recuperação plena destes
indivíduos, e estarão na origem do triplicar das recaídas.
Numa sociedade onde a escassez de
dinheiro impera, a capacidade de resposta destes serviços tão especializados
tem, inevitavelmente, falhado, o que condiciona sobremaneira o tratamento
continuado destes indivíduos. Se antes se assistia, por exemplo, à
discriminação positiva destas pessoas em recuperação, nomeadamente em termos de
empregabilidade, dizem os responsáveis que face à taxa de desemprego
generalizada “não existe o à vontade necessário para que se batam por esta
questão”.
Outrora apontado como o inimigo
público número um, e gastos milhões em prevenção e apoios sociais, o consumo
desta droga parece agora suscitar pouco interesse nas pessoas com
responsabilidades políticas. É certo que outras necessidades bem mais prementes
estão na calha – há hoje gente a passar fome – no entanto, urge a
disponibilização de esforços, a articulação de estruturas de saúde que
garantam, uma vez mais, respostas eficazes a estas pessoas. Importa impedir o
recrudescimento deste flagelo, sob pena de assistirmos ao ruir de todo o
esforço financeiro e social feito por aqueles que antes de nós tanto
trabalharam pela erradicação do consumo desta maldita heroína!
terça-feira, 8 de abril de 2014
BASTA PUM BASTA
porque, gentilmente, me emprestaram uma edição riquíssima do texto;
por ter já saudades de o reler (e fico-me pelas X vezes já que, segundo Mestre Almada, "Todos estes livros devem ser lidos plo menos duas vezes prós muito inteligentes e d'aqui pra baixo é sempre a dobrar.");
porque já tinha saudades da sátira e do cunho hilariante deste texto doutrinário;
e porque também eu conheço uns quantos Dantas que por aí se pavoneiam, aqui fica um excerto...
BASTA PUM BASTA!
UMA GERAÇÃO, QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM DANTAS É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI! É UM COIO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS! É UMA RÊSMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS, E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO!
ABAIXO A GERAÇÃO!
MORRA O DANTAS, MORRA!
PIM!
UMA GERAÇÃO COM UM DANTAS A CAVALO É UM BURRO IMPOTENTE!
UMA GERAÇÃO COM UM DANTAS À PROA É UMA CANÔA UNI SECO!
O DANTAS É UM CIGANO!
O DANTAS É MEIO CIGANO!
O DANTAS SABERÁ GRAMMÁTICA, SABERÁ SYNTAXE, SABERÁ MEDICINA, SABERÁ FAZER CEIAS P'RA CARDEAIS SABERÁ TUDO MENOS ESCREVER QUE É A ÚNICA COISA QUE ELLLE FAZ!
O DANTAS PESCA TANTO DE POESIA QUE ATÉ FAZ SONETOS COM LIGAS DE DUQUEZAS!
O DANTAS É UM HABILIDOSO!
O DANTAS VESTE-SE MAL!
O DANTAS USA CEROULAS DE MALHA!
O DANTAS ESPECÚLA E INÓCULA OS CONCUBINOS!
O DANTAS É DANTAS!
O DANTAS É JÚLIO!
(...)
MORRA O DANTAS, MORRA!
PIM!
O DANTAS NASCEU PARA PROVAR QUE, NEM TODOS OS QUE ESCREVEM SABEM ESCREVER!
O DANTAS É UM AUTOMATO QUE DEITA PR'A FÓRA O QUE A GENTE JÁ SABE QUE VAE SAHIR... MAS É PRECISO DEITAR DINHEIRO!
O DANTAS É UM SONETO D'ELLE-PRÓPRIO!
O DANTAS EM GÉNIO NUNCA CHEGA A PÓLVORA SECCA E EM TALENTO É PIM-PAM-PUM!
O DANTAS NÚ É HORROROSO!
O DANTAS CHEIRA MAL DA BOCA!
MORRA O DANTAS, MORRA!
PIM!
O DANTAS É O ESCARNEO DA CONSCIÊNCIA!
SE O DANTAS É PORTUGUEZ EU QUERO SER HESPANHOL!
O DANTAS É A VERGONHA DA INTELLECTUALIDADE PORTUGUEZA! O DANTAS É A META DA DECADÊNCIA MENTAL!
E AINDA HÁ QUEM NÃO CÓRE QUANDO DIZ ADMIRAR O DANTAS!
E AINDA HÁ QUEM LHE ESTENDA A MÃO!
E QUEM LHE LAVE A ROUPA!
E QUEM TENHA DÓ DO DANTAS!
(...)
MORRA O DANTAS, MORRA!
PIM!
PORTUGAL QUE COM TODOS ESTES SENHORES, CONSEGUIU A CLASSIFICAÇÃO DO PAIZ MAIS ATRAZADO DA EUROPA E DE TODO OMUNDO! O PAIZ MAIS SELVAGEM DE TODAS AS ÁFRICAS! O EXILIO DOS DEGRADADOS E DOS INDIFERENTES! A AFRICA RECLUSA DOS EUROPEUS! O ENTULHO DAS DESVANTAGENS E DOS SOBEJOS! PORTUGAL INTEIRO HA-DE ABRIR OS OLHOS UM DIA - SE É QUE A SUA CEGUEIRA NÃO É INCURÁVEL E ENTÃO GRITARÁ COMMIGO, A MEU LADO, A NECESSIDADE QUE PORTUGAL TEM DE SER QUALQUER COISA DE ASSEIADO!
MORRA O DANTAS, MORRA!
PIM!
(O recurso às maiúsculas não é inocente, apenas respeita o original)
por ter já saudades de o reler (e fico-me pelas X vezes já que, segundo Mestre Almada, "Todos estes livros devem ser lidos plo menos duas vezes prós muito inteligentes e d'aqui pra baixo é sempre a dobrar.");
porque já tinha saudades da sátira e do cunho hilariante deste texto doutrinário;
e porque também eu conheço uns quantos Dantas que por aí se pavoneiam, aqui fica um excerto...
BASTA PUM BASTA!
UMA GERAÇÃO, QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM DANTAS É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI! É UM COIO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS! É UMA RÊSMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS, E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO!
ABAIXO A GERAÇÃO!
MORRA O DANTAS, MORRA!
UMA GERAÇÃO COM UM DANTAS A CAVALO É UM BURRO IMPOTENTE!
UMA GERAÇÃO COM UM DANTAS À PROA É UMA CANÔA UNI SECO!
O DANTAS É UM CIGANO!
O DANTAS É MEIO CIGANO!
O DANTAS SABERÁ GRAMMÁTICA, SABERÁ SYNTAXE, SABERÁ MEDICINA, SABERÁ FAZER CEIAS P'RA CARDEAIS SABERÁ TUDO MENOS ESCREVER QUE É A ÚNICA COISA QUE ELLLE FAZ!
O DANTAS PESCA TANTO DE POESIA QUE ATÉ FAZ SONETOS COM LIGAS DE DUQUEZAS!
O DANTAS É UM HABILIDOSO!
O DANTAS VESTE-SE MAL!
O DANTAS USA CEROULAS DE MALHA!
O DANTAS ESPECÚLA E INÓCULA OS CONCUBINOS!
O DANTAS É DANTAS!
O DANTAS É JÚLIO!
(...)
MORRA O DANTAS, MORRA!
O DANTAS NASCEU PARA PROVAR QUE, NEM TODOS OS QUE ESCREVEM SABEM ESCREVER!
O DANTAS É UM AUTOMATO QUE DEITA PR'A FÓRA O QUE A GENTE JÁ SABE QUE VAE SAHIR... MAS É PRECISO DEITAR DINHEIRO!
O DANTAS É UM SONETO D'ELLE-PRÓPRIO!
O DANTAS EM GÉNIO NUNCA CHEGA A PÓLVORA SECCA E EM TALENTO É PIM-PAM-PUM!
O DANTAS NÚ É HORROROSO!
O DANTAS CHEIRA MAL DA BOCA!
MORRA O DANTAS, MORRA!
O DANTAS É O ESCARNEO DA CONSCIÊNCIA!
SE O DANTAS É PORTUGUEZ EU QUERO SER HESPANHOL!
O DANTAS É A VERGONHA DA INTELLECTUALIDADE PORTUGUEZA! O DANTAS É A META DA DECADÊNCIA MENTAL!
E AINDA HÁ QUEM NÃO CÓRE QUANDO DIZ ADMIRAR O DANTAS!
E AINDA HÁ QUEM LHE ESTENDA A MÃO!
E QUEM LHE LAVE A ROUPA!
E QUEM TENHA DÓ DO DANTAS!
(...)
MORRA O DANTAS, MORRA!
PORTUGAL QUE COM TODOS ESTES SENHORES, CONSEGUIU A CLASSIFICAÇÃO DO PAIZ MAIS ATRAZADO DA EUROPA E DE TODO OMUNDO! O PAIZ MAIS SELVAGEM DE TODAS AS ÁFRICAS! O EXILIO DOS DEGRADADOS E DOS INDIFERENTES! A AFRICA RECLUSA DOS EUROPEUS! O ENTULHO DAS DESVANTAGENS E DOS SOBEJOS! PORTUGAL INTEIRO HA-DE ABRIR OS OLHOS UM DIA - SE É QUE A SUA CEGUEIRA NÃO É INCURÁVEL E ENTÃO GRITARÁ COMMIGO, A MEU LADO, A NECESSIDADE QUE PORTUGAL TEM DE SER QUALQUER COISA DE ASSEIADO!
MORRA O DANTAS, MORRA!
José de Almada Negreiros
Poeta d'Orpheu
Futurista E Tudo
Poeta d'Orpheu
Futurista E Tudo
Manifesto
anti-Dantas,
por
José de Almada Negreiros (adapt.)
(O recurso às maiúsculas não é inocente, apenas respeita o original)
sábado, 5 de abril de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
In Gazeta da EBI da Maia
Porque temos obrigação de direcionar os nossos alunos para os autores de qualidade...
(Errata: onde se lê "março", dever-se-ia ler "maio")
(Errata: onde se lê "março", dever-se-ia ler "maio")
terça-feira, 1 de abril de 2014
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