terça-feira, 10 de junho de 2014
segunda-feira, 2 de junho de 2014
sexta-feira, 9 de maio de 2014
quinta-feira, 8 de maio de 2014
sábado, 12 de abril de 2014
terça-feira, 8 de abril de 2014
BASTA PUM BASTA
porque, gentilmente, me emprestaram uma edição riquíssima do texto;
por ter já saudades de o reler (e fico-me pelas X vezes já que, segundo Mestre Almada, "Todos estes livros devem ser lidos plo menos duas vezes prós muito inteligentes e d'aqui pra baixo é sempre a dobrar.");
porque já tinha saudades da sátira e do cunho hilariante deste texto doutrinário;
e porque também eu conheço uns quantos Dantas que por aí se pavoneiam, aqui fica um excerto...
BASTA PUM BASTA!
UMA GERAÇÃO, QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM DANTAS É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI! É UM COIO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS! É UMA RÊSMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS, E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO!
ABAIXO A GERAÇÃO!
MORRA O DANTAS, MORRA!
PIM!
UMA GERAÇÃO COM UM DANTAS A CAVALO É UM BURRO IMPOTENTE!
UMA GERAÇÃO COM UM DANTAS À PROA É UMA CANÔA UNI SECO!
O DANTAS É UM CIGANO!
O DANTAS É MEIO CIGANO!
O DANTAS SABERÁ GRAMMÁTICA, SABERÁ SYNTAXE, SABERÁ MEDICINA, SABERÁ FAZER CEIAS P'RA CARDEAIS SABERÁ TUDO MENOS ESCREVER QUE É A ÚNICA COISA QUE ELLLE FAZ!
O DANTAS PESCA TANTO DE POESIA QUE ATÉ FAZ SONETOS COM LIGAS DE DUQUEZAS!
O DANTAS É UM HABILIDOSO!
O DANTAS VESTE-SE MAL!
O DANTAS USA CEROULAS DE MALHA!
O DANTAS ESPECÚLA E INÓCULA OS CONCUBINOS!
O DANTAS É DANTAS!
O DANTAS É JÚLIO!
(...)
MORRA O DANTAS, MORRA!
PIM!
O DANTAS NASCEU PARA PROVAR QUE, NEM TODOS OS QUE ESCREVEM SABEM ESCREVER!
O DANTAS É UM AUTOMATO QUE DEITA PR'A FÓRA O QUE A GENTE JÁ SABE QUE VAE SAHIR... MAS É PRECISO DEITAR DINHEIRO!
O DANTAS É UM SONETO D'ELLE-PRÓPRIO!
O DANTAS EM GÉNIO NUNCA CHEGA A PÓLVORA SECCA E EM TALENTO É PIM-PAM-PUM!
O DANTAS NÚ É HORROROSO!
O DANTAS CHEIRA MAL DA BOCA!
MORRA O DANTAS, MORRA!
PIM!
O DANTAS É O ESCARNEO DA CONSCIÊNCIA!
SE O DANTAS É PORTUGUEZ EU QUERO SER HESPANHOL!
O DANTAS É A VERGONHA DA INTELLECTUALIDADE PORTUGUEZA! O DANTAS É A META DA DECADÊNCIA MENTAL!
E AINDA HÁ QUEM NÃO CÓRE QUANDO DIZ ADMIRAR O DANTAS!
E AINDA HÁ QUEM LHE ESTENDA A MÃO!
E QUEM LHE LAVE A ROUPA!
E QUEM TENHA DÓ DO DANTAS!
(...)
MORRA O DANTAS, MORRA!
PIM!
PORTUGAL QUE COM TODOS ESTES SENHORES, CONSEGUIU A CLASSIFICAÇÃO DO PAIZ MAIS ATRAZADO DA EUROPA E DE TODO OMUNDO! O PAIZ MAIS SELVAGEM DE TODAS AS ÁFRICAS! O EXILIO DOS DEGRADADOS E DOS INDIFERENTES! A AFRICA RECLUSA DOS EUROPEUS! O ENTULHO DAS DESVANTAGENS E DOS SOBEJOS! PORTUGAL INTEIRO HA-DE ABRIR OS OLHOS UM DIA - SE É QUE A SUA CEGUEIRA NÃO É INCURÁVEL E ENTÃO GRITARÁ COMMIGO, A MEU LADO, A NECESSIDADE QUE PORTUGAL TEM DE SER QUALQUER COISA DE ASSEIADO!
MORRA O DANTAS, MORRA!
PIM!
(O recurso às maiúsculas não é inocente, apenas respeita o original)
por ter já saudades de o reler (e fico-me pelas X vezes já que, segundo Mestre Almada, "Todos estes livros devem ser lidos plo menos duas vezes prós muito inteligentes e d'aqui pra baixo é sempre a dobrar.");
porque já tinha saudades da sátira e do cunho hilariante deste texto doutrinário;
e porque também eu conheço uns quantos Dantas que por aí se pavoneiam, aqui fica um excerto...
BASTA PUM BASTA!
UMA GERAÇÃO, QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM DANTAS É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI! É UM COIO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS! É UMA RÊSMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS, E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO!
ABAIXO A GERAÇÃO!
MORRA O DANTAS, MORRA!
UMA GERAÇÃO COM UM DANTAS A CAVALO É UM BURRO IMPOTENTE!
UMA GERAÇÃO COM UM DANTAS À PROA É UMA CANÔA UNI SECO!
O DANTAS É UM CIGANO!
O DANTAS É MEIO CIGANO!
O DANTAS SABERÁ GRAMMÁTICA, SABERÁ SYNTAXE, SABERÁ MEDICINA, SABERÁ FAZER CEIAS P'RA CARDEAIS SABERÁ TUDO MENOS ESCREVER QUE É A ÚNICA COISA QUE ELLLE FAZ!
O DANTAS PESCA TANTO DE POESIA QUE ATÉ FAZ SONETOS COM LIGAS DE DUQUEZAS!
O DANTAS É UM HABILIDOSO!
O DANTAS VESTE-SE MAL!
O DANTAS USA CEROULAS DE MALHA!
O DANTAS ESPECÚLA E INÓCULA OS CONCUBINOS!
O DANTAS É DANTAS!
O DANTAS É JÚLIO!
(...)
MORRA O DANTAS, MORRA!
O DANTAS NASCEU PARA PROVAR QUE, NEM TODOS OS QUE ESCREVEM SABEM ESCREVER!
O DANTAS É UM AUTOMATO QUE DEITA PR'A FÓRA O QUE A GENTE JÁ SABE QUE VAE SAHIR... MAS É PRECISO DEITAR DINHEIRO!
O DANTAS É UM SONETO D'ELLE-PRÓPRIO!
O DANTAS EM GÉNIO NUNCA CHEGA A PÓLVORA SECCA E EM TALENTO É PIM-PAM-PUM!
O DANTAS NÚ É HORROROSO!
O DANTAS CHEIRA MAL DA BOCA!
MORRA O DANTAS, MORRA!
O DANTAS É O ESCARNEO DA CONSCIÊNCIA!
SE O DANTAS É PORTUGUEZ EU QUERO SER HESPANHOL!
O DANTAS É A VERGONHA DA INTELLECTUALIDADE PORTUGUEZA! O DANTAS É A META DA DECADÊNCIA MENTAL!
E AINDA HÁ QUEM NÃO CÓRE QUANDO DIZ ADMIRAR O DANTAS!
E AINDA HÁ QUEM LHE ESTENDA A MÃO!
E QUEM LHE LAVE A ROUPA!
E QUEM TENHA DÓ DO DANTAS!
(...)
MORRA O DANTAS, MORRA!
PORTUGAL QUE COM TODOS ESTES SENHORES, CONSEGUIU A CLASSIFICAÇÃO DO PAIZ MAIS ATRAZADO DA EUROPA E DE TODO OMUNDO! O PAIZ MAIS SELVAGEM DE TODAS AS ÁFRICAS! O EXILIO DOS DEGRADADOS E DOS INDIFERENTES! A AFRICA RECLUSA DOS EUROPEUS! O ENTULHO DAS DESVANTAGENS E DOS SOBEJOS! PORTUGAL INTEIRO HA-DE ABRIR OS OLHOS UM DIA - SE É QUE A SUA CEGUEIRA NÃO É INCURÁVEL E ENTÃO GRITARÁ COMMIGO, A MEU LADO, A NECESSIDADE QUE PORTUGAL TEM DE SER QUALQUER COISA DE ASSEIADO!
MORRA O DANTAS, MORRA!
José de Almada Negreiros
Poeta d'Orpheu
Futurista E Tudo
Poeta d'Orpheu
Futurista E Tudo
Manifesto
anti-Dantas,
por
José de Almada Negreiros (adapt.)
(O recurso às maiúsculas não é inocente, apenas respeita o original)
sábado, 5 de abril de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
In Gazeta da EBI da Maia
Porque temos obrigação de direcionar os nossos alunos para os autores de qualidade...
(Errata: onde se lê "março", dever-se-ia ler "maio")
(Errata: onde se lê "março", dever-se-ia ler "maio")
terça-feira, 1 de abril de 2014
sexta-feira, 28 de março de 2014
Antologia de Poesia Contemporânea Entre o Sono e o Sonho
Foi
com um imenso orgulho que contribuí (com uma milésima parte) para a realização deste magnífico projeto!
Como
sempre, a todos, BOAS LEITURAS!
segunda-feira, 24 de março de 2014
Mr. Vertigo
Mr. Vertigo
Voar afinal é fácil…
Walter Claireborne Rawley fê-lo aos doze anos, quando não passava dum miúdo de rua, imundo, pedinte, e completamente afagado pela reluzente noite de Saint Louis em plenos anos 20 do século passado.
Walter, ou Walt o «Rapaz Prodígio», como viria a ficar conhecido por toda a América, não passa duma extraordinária criação da mente de Paul Auster, homem de sete ofícios, mas duma qualidade imensurável enquanto escritor.
Neste livro retrata-nos a América dos anos vinte, época de grandes mutações sociais e políticas, mas descritas duma forma soberbamente discreta, já que a descrição é envolta numa história imaginária mas cativante que assenta na aprendizagem dum rapazinho da arte da levitação, apoiado pelo seu inseparável mestre Yehudi, com quem cria uma afeição muito semelhante à paternal.
Temas que vão da espiritualidade, da crença em Deus, à Máfia de Capone, da noção do Bem/Mal às hediondas malfeitorias do Ku Klux Klan, Auster coloca a nu toda uma América obscura e manifestamente vergonhosa.
A um só tempo, consegue também deixar translúcida a ideia de que todos conseguimos atingir o impensável se para isso lutarmos com o afinco necessário. Walt, muito céptico inicialmente, resistia apenas às provações pelas quais o seu Mestre o obrigava a passar, com o intuito apenas de ganhar uma aposta levada a efeito com o seu próprio professor. Qual o seu espanto quando da Terra se eleva e percebe que afinal a arte da levitação é exequível…
Não houve um só momento em toda a leitura efectuada, em que o autor não me levasse a pensar na vida vista como um desafio diário, onde obstáculos vão surgindo do nada, mas que independentemente da sua dimensão têm de ser necessariamente transpostos. Nem mesmo quando tudo parece expirado, quando o fim surge diante do rápido olhar avançado, ele permite que a sua personagem desfaleça. De novo ganha ânimo, de volta lhe corre o vigor por entre as veias e novos desafios e aventuras se vislumbram na vida deste pequeno “rapaz – voador” de Saint Louis.
A outra dimensão, torna-se também muito interessante fazer mentalmente o paralelo entre o crescimento de Walter e o próprio desenvolvimento de todo um país. À medida que vai crescendo e desenvolvendo as suas capacidades paranormais, também se verifica o desenvolvimento de um país a recuperar duma crise bolsista que acabaria por levar um povo à ruína. A analogia entre o fulgor do «Rapaz Prodígio» e a magnificência Americana antes do crash, e o declínio social de Walter com a queda do esplendor americano (devido à dita crise da bolsa) é particularmente interessante, assim como o é a recuperação de ambos: Walter redime-se pelo purgatório duma guerra forçada, e a América reabilita-se adoptando novas políticas muito mais coerentes e social e economicamente melhor aceites por todos.
Em suma, e parafraseando o The Independent, Mr. Vertigo é, sem qualquer dúvida, “Uma grandiosa obra de Literatura pela mão de um monstro da fábula moderna Norte-Americana”.
Recomendo!
a 17 de junho de 2008
domingo, 23 de março de 2014
absurdidades ou teimosias políticas
Se dúvidas houvesse...
Eu não diria melhor...
Tivesse a maioria tido bom senso, abertura ao diálogo, no fundo, tivesse havido espírito democrático, não haveria a necessidade de se apelar ao regulador! No entanto, alguns limitam-se, tristemente, a insistir na exibição de uma postura de prepotência!
Eu não diria melhor...
Tivesse a maioria tido bom senso, abertura ao diálogo, no fundo, tivesse havido espírito democrático, não haveria a necessidade de se apelar ao regulador! No entanto, alguns limitam-se, tristemente, a insistir na exibição de uma postura de prepotência!
terça-feira, 18 de março de 2014
Numa altura Quaresmal... e de Romarias
“A ilha, toda inteira. Passo a passo há-de João andá-la de ponta a ponta, duzentos e cinquenta quilómetros em redor, cinquenta léguas compridas de cansaços e Ave-Marias. Romeiro, ele, cristão de pouco ir à Missa… E a pão e água, a promessa!...”
Daniel de Sá, Ilha Grande Fechada
Venenos de Deus Remédios do Diabo
“O jovem médico português Sidónio Rosa,
perdido de amores pela mulata moçambicana Deolinda, que conheceu em Lisboa num
congresso médico, deslocou-se como cooperante para Moçambique em busca da sua
amada. Em Vila Cacimba, onde encontra os pais dela, espera pacientemente que
ela regresse do estágio que está a frequentar algures. Mas regressará ela algum
dia? Entretanto vão-se-lhe revelando, por entre a névoa que a cobre, os
segredos e mistérios, as histórias não contadas de Vila Cacimba – a família dos
Sozinhos, Munda e Bartolomeu, o velho marinheiro, o administrador, Suacelência
e a sua Esposinha, a Misteriosa mensageira do vestido cinzento espalhando as
flores do esquecimento.”
Mia Couto - gostei!
a 06 de Fevereiro de 2010
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