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quinta-feira, 11 de julho de 2019
terça-feira, 19 de fevereiro de 2019
in Açoriano Oriental
“Ler na Livraria” ao sábado
de manhã
Para
além do prazeroso reencontro com pessoas que partilham o gosto pela Literatura,
as sessões “Ler na Livraria”,
promovidas pelos responsáveis pela icónica
LeyaSolmar, em Ponta Delgada, revestem-se da grande vantagem de trazerem ao
conhecimento ou, pelo menos, à memória obras de referência que, por um ou outro
motivo, se encontravam na obscuridade do esquecimento. Foi o caso de «Descobri
Que Era Europeia», da autora açoriana Natália Correia, naquele sábado selecionado
e comentado pela professora e escritora Leonor Sampaio Silva.
A edição
que possuo – da editora Ponto de Fuga, março de 2018 – é a mais recente e é um
pouco mais alargada do que a obra original, uma vez que se refere, ao contrário
da primeira, às três viagens que a autora de «A Ilha de Circe» efetuou aos
Estados Unidos da América: a primeira em 1950, com apenas vinte e seis anos, a
segunda em 1978, a convite da Brown University e a última em 1983, em
representação do então Presidente da República, General Ramalho Eanes, por
ocasião da comemoração, naquele país, do Dia de Portugal, de Camões e das
Comunidades.
Apesar
de se reportar a três momentos temporais distintos e outras tantas viagens, o
âmago do texto incide, essencialmente, no relato da primeira viagem àquele
país. Nele, Natália procura retratar a essência do “american way of life”, assimilado através de inúmeras incursões por
cidades da costa leste dos Estados Unidos da América, nomeadamente, Boston,
Washington ou Nova Iorque, colocando-o em contraponto com a sua própria visão
europeísta.
Apesar
de se tratar de uma “obra de início de
carreira”, como outros a catalogaram, Natália Correia adensa-a com uma
interessante conjugação de géneros, pressagiando, claramente, o virtuosismo
literário que lhe viria a ser reconhecido, posteriormente. Investidas pelo relato
de viagem, reportagem, texto diarístico, prosa ficcional ou poesia criam um
todo estruturalmente harmonioso e de leitura bastante interessante. O que
poderia ter sido apenas um texto híbrido, descritivo e sem grandes linhas
orientadoras, revela-se um documento profético (até no que à política económica
da Europa concerne), exuberante e de uma profunda riqueza literária, onde a
autora analisa comparativamente e em constância, o modo de vida de um lado e do
outro do Atlântico.
Nesta
viagem há ainda uma profunda jornada autorreflexiva até ao íntimo da própria
autora que assume, aliás, que principia a expedição com muitas questões por
responder, «Trouxe curiosidades para a
América (…)», sendo que, no regresso, a poucas ou nenhumas conseguiu dar
resposta plenas, «Nenhuma das minhas
curiosidades foi satisfeita.». Não obstante, conclui que americanos e europeus
são «estruturalmente diferentes» e o
seu desapontamento com «a terra prometida»
fá-la perceber que o seu lugar no mundo passará sempre pelo velho continente. Embora
encontre no «Novo Mundo» laivos
civilizacionais aceitáveis (quase sempre assentes em origens europeias),
nomeadamente em contacto direto com algumas pessoas ou em visita a determinados
espaços – galerias de arte, por exemplo – há por diversas vezes referência à
falta de raízes daquele país, à superficialidade da sua cultura estética, o que
lhe causa um monumental desencanto.
Serão,
aliás, esses sentimentos de desilusão e frustração, cumulativamente com a sua
integridade intelectual e consequente afastamento do ‘politicamente correto’, associados
a uma escrita crua, corrosiva, pautada por disfemismos, ironia e por um sentido
de humor apuradíssimo, que levaram a que muitos considerassem este texto «de cabal antipatia pelo american way of life
(…)», como ficou registado pela mão da própria autora à partida para a sua
segunda viagem aos EUA.
Natália
Correia, fruto talvez da sua personalidade assumidamente
mal-humorada, não se inibiu de, textualmente, apoucar muitos dos que, de certa
forma, a terão exasperado durante esta viagem: ora pela vivência de situações envoltas
em falta de idoneidade, «(…) percebi que
a pressurosa ajuda do homenzinho, insistindo em retirar os embrulhos do táxi,
obedecia a intuitos bem poucos generosos.», ora pela interação com indivíduos
cujos discursos chegavam a ser insultuosos à inteligência da autora, «O
homem conhece a Europa. Esteve em Espanha e quer saber que língua se fala em
Portugal. Foi a este sujeito que estive para responder que em Portugal éramos
todos mudos. Mas não o fiz, com receio de que ele acreditasse…».
No atinente à segunda e derradeira viagens àquele país, percebe-se uma certa pacificação da autora com a região: «Regresso agora à América do Norte, e o impacto europeizante que me acolhe encandeia-me logo à chegada. Que modificação se operou
nesta caminhada do tempo, não tão longa para justificar esta drástica
rutura do velho isolacionismo norte-americano face à vida europeia, ao
ponto de ter eu a sensação de me achar numa Europa que já não encontro na sua velha colocação geográfica e cultural?», no entanto, claramente insuficiente para que lhe suscite qualquer tipo de especial deslumbramento.
A terminar, deixo-vos duas citações retiradas do texto de 1950 que considero dignas de registo, talvez pela atualidade com que se revestem:
«O protesto é uma democracia de recurso.»
«(…) o meu ceticismo ante os meandros da política internacional inclinava-me a não acreditar na “pureza de intenções dos países empenhados em defender os interesses de outras nações”»
nesta caminhada do tempo, não tão longa para justificar esta drástica
rutura do velho isolacionismo norte-americano face à vida europeia, ao
ponto de ter eu a sensação de me achar numa Europa que já não encontro na sua velha colocação geográfica e cultural?», no entanto, claramente insuficiente para que lhe suscite qualquer tipo de especial deslumbramento.
A terminar, deixo-vos duas citações retiradas do texto de 1950 que considero dignas de registo, talvez pela atualidade com que se revestem:
«O protesto é uma democracia de recurso.»
«(…) o meu ceticismo ante os meandros da política internacional inclinava-me a não acreditar na “pureza de intenções dos países empenhados em defender os interesses de outras nações”»
quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
grotta #3
Apesar de serem muitos os motivos de interesse, não há como
deixar de destacar a esplêndida entrevista ao professor Emanuel Jorge Botelho,
assim como todo o seu belíssimo texto poético! Com efeito, o seu discurso é
revelador “ de quem, com os anos, foi depurando a palavra, conservando só o
essencial aos olhos do leitor.”
Aos promotores deste projeto, muitos parabéns! A evolução é evidente e a continuidade impõe-se!
quarta-feira, 9 de janeiro de 2019
sexta-feira, 14 de dezembro de 2018
A Fajã de Cima ou como a bota de cano se tornou mais atraente que o salto alto
Tanto quanto é do meu conhecimento, esta obra inaugura uma via nas letras açorianas: uma espécie de nonsense à inglesa, polvilhado por uma comicidade fina e pouco habitual na literatura que por cá se produz, num texto que é, como afirma Nuno Costa Santos, “uma viva declaração de amor à freguesia da Fajã de Cima […]”.
Quem disse que o absurdo não está na moda?
Parabéns, Luís!
Parabéns, Luís!
domingo, 2 de dezembro de 2018
Homenagem ao professor Emanuel Jorge Botelho
Entre tantos outros méritos e motivos de interesse, o encontro literário "Açores Arquipélago de Escritores” homenageia – com irrefutável justeza – Emanuel Jorge Botelho, o homem que prometeu dar a cada palavra a sua palavra de honra!
Parabéns!
17.nov.18 || Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas
Parabéns!
17.nov.18 || Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas
domingo, 25 de novembro de 2018
Ao Xico
Passaram já uns dias desde que a encontrei numa esplanada, bem no centro da cidade de Ponta Delgada. A tarde estava soalheira e a temperatura convidava a uma pausa. Sentei-me na única mesa disponível e percebi o espaço bem mais concorrido do que seria de esperar, fruto, é evidente, da nova vaga turística que não aprendeu ainda a distinguir épocas, para gáudio dos empresários locais.
Esperei pelo empregado que, apenas a custo, poderei qualificar de diligente, pelo menos no que à arte de servir às mesas diz respeito, já que, dali, o observei largos minutos, enquanto flirtava com uma italiana loira, de tez clara e com o que parecia ser um apetite voraz pelo produto regional. Assim que me ouviu tossicar um pouco mais alto do que a boa educação recomenda, dirigiu-se a mim e, desfazendo-se em mesuras, assentou o meu pedido.
Relevei. O sol, embora baixo, parecia empenhar-se em aquecer-me o coração e tudo parecia alinhado com os trâmites da felicidade. Não valia a pena o aborrecimento de uma chamada de atenção. Além disso, a moça era bonita e ele parecia, deveras, entusiasmado com a situação.
Tirei do bolso o bloco de apontamentos e, quando me preparava para anotar algo de que agora não me recordo, vi-a pela primeira vez. Escrevia num Moleskine preto por pautar e usava uma Parker prateada, de tinta permanente, preta. As melhores! Uma figura elegante!
Trajava um distinto anorak (prefiro a palavra em francês, por me parecer mais cosmopolita), mas claramente desajustado à temperatura que se fazia sentir. Por baixo, o que parecia ser uma casaca masculina em tons de vermelho com uma camiseta branca, muito simples. A ganga das calças ia sobrando ao longo das pernas e, nos pés, umas sapatilhas imaculadamente brancas, de solas brancas e cordões brancos. Marca da moda. Não cheguei a perceber o seu rosto, os óculos escuros e desmesurados não mo permitiram. Pela aparência geral, não teria mais de vinte e cinco anos. Notei que chorava. Chorava em silêncio e sozinha. Creio que o choro em solidão é o pior deles todos: corrói mais do que qualquer outro, por não se poder repartir; tem vontade própria; é de difícil extinção e exala sempre uma dor insanável. Em quase quarenta anos, recordo-me de ter chorado assim não mais do que três vezes!
Envergando uma postura quase paternal, quis aproximar-me para a acudir! Ainda lancei um olhar como que a pedir licença para o fazer mas, nesse instante, naquele fim de tarde, aquela figura fina levantou-se e, pelo meio de um grupo de turistas eufóricos, desapareceu pelas ruas limítrofes. Ainda me levantei perscrutando a sua silhueta, mas em vão…
Desapontado, mais com minha inoperância do que com qualquer outra coisa, deixei-me cair na cadeira de onde pulara momentos antes e dirigi os sentidos para o local de onde aquela mulher se levantara. Reparei que deixara um rasto perfumado e, na base da mesa, um pequeno papel dobrado em duas partes indistintas.
Olhei de soslaio para um lado e para outro e reparei que a vida continuava indiferente às minhas preocupações: um homem estrangeiro na mesa ao lado bebericava a sua cerveja preta e, de livro em punho, não se apercebia de nada em redor. Estava absorto na leitura do grande Gabo. A sua escolha recaíra no “Cem Anos de Solidão”, uma belíssima edição em castelhano, se não me atraiçoou o vislumbre rápido e comprometido. Apesar do excesso de peso – há que dizê-lo – percebia-se requinte no gosto literário. À direita, o empregado de mesa ainda cortejava a sua italiana, que não se mostrava nada envergonhada perante os avanços atrevidos deste Don Juan micaelense.
Levantei-me. Avancei e subtraí o manuscrito à mesa abandonada. Num ápice, regressei. Esperei um pouco. Recuperei o fôlego e olhei aquele papel.
Parecia tratar-se uma folha do seu caderno sem qualquer remetente ou destinatário. Na página frontal, apenas repetida a palavra “Xico”, com letras trémulas, quase garatujadas. Voltei-a e, depois de ler a missiva que lá fora escrita, percebi o choro, a angústia e o vazio que aquela mulher trazia consigo.
Morrera-lhe parte de si!
“Em memória do nosso Xico – a epístola que não queria ter escrito
O nosso Xico partiu, mas sei que ainda deambula entre nós, a apaziguar-nos a mágoa!
Se fecho os olhos, ainda oiço o cavalgar dos seus quilos a menos, em redor da nossa casa. Vejo-o sentado à porta de entrada, de cauda em pêndulo, à espera que a Susana lhe lance um sorriso ou uma palavra de carinho. Sem grande esforço, vejo-o correr pelo relvado, de forma inglória, perseguindo pardais ou pombas que teimavam em desafiá-lo com voos rasantes. Por vezes, oiço-o ladrar enervado com os melros-negros que – criminosos – lhe surripiavam, sempre que podiam, a ração do interior do canil.
Olho para o que resta das palmeiras, das iucas-mansas ou das camélias que ele foi desarranjando ao longo do tempo e percebo, finalmente, que não havia mesmo problema algum, como o seu olhar triste me parecia querer indicar, quando o fechava de castigo, ainda com o focinho sujo de terra e com vestígios de raízes soltas.
Foi a Susana que lhe escolheu o nome, no dia em que chegou a nossa casa e, desde esse momento, considerámo-lo como membro da nossa família. Era muito mais do que o nosso cão: o Xico era um Ser que adensava a nossa vida, que a tornava mais preenchida, que a animava e cobria de felicidade. Mesmo que não nos apercebêssemos disso todos os dias que o tivemos connosco, a tristeza e o vazio que agora sentimos comprovam a falta que ele nos faz.
Como uma laranja que não chegou a amadurecer e cai desamparada da árvore, também o nosso Xico tombou, deixando toda uma vida por viver.
Talvez por isso, nem ontem nem hoje, vieram os pardais, nem as pombas, nem os melros-negros!
Crê que foste amado, Xico!
S&T
Telmo R. Nunes
a 25 novembro de 2018
quinta-feira, 22 de novembro de 2018
in Açoriano Oriental
Encontro Literário “Açores Arquipélago de Escritores”
Agora que se apagam as luzes e as cadeiras vagam, há que
fazer um justo reconhecimento à realização do encontro literário, “Açores
Arquipélago de Escritores”.
São Miguel e Ponta Delgada, em particular, já mereciam um
acontecimento cultural desta natureza, desta qualidade e envergadura. As
sessões foram de uma riqueza literária imensa: houve conversas
interessantíssimas com pessoas igualmente interessantes e com as quais
habitualmente só nos cruzamos nas páginas dos livros. Houve lançamentos de
obras, cursos, apresentação de filmes, sessões direcionadas às escolas e às
crianças, debates, mesas redondas onde fervilharam ideias estimulantes e, como
não podia deixar de ser, as devidas homenagens àqueles que serão os maiores
entre pares. A nossa cidade, mas também a nossa ilha e os Açores foram, de
facto, um “porto de cruzamento de diferentes culturas e literaturas (…)”.
Gostei do que vi e do que ouvi; gostei dos que abrilhantaram
os diversos palcos e nos enriqueceram com as suas ideias. Não foi necessário
expender grande esforço para apreciar, com redobrada atenção, as intervenções
de oradores como Onésimo Teotónio de Almeida, João de Melo, Daniel Gonçalves, Joel
Neto, Emanuel Jorge Botelho, Gonçalo M. Tavares, Pedro Mexia, João Pedro Porto,
entre outros.
Como se afirmou amiúde ao longo daqueles dias, inaugurar um
encontro literário com esta pujança e sucesso, acarreta uma pressão imensa para
os envolvidos na sua organização, já que a fasquia se encontra agora num
patamar de excelência que, certamente, será mantida nos encontros que se hão de
suceder.
Registei, com especial agrado, o empenho em descentralizar
as várias sessões por diversos locais da cidade e da ilha, fazendo chegar o
livro a um público mais vasto e, sobretudo, mais diversificado, mas sublinhei
também, e com grande satisfação, a paridade de género entre os autores
convidados. Enriquecer o programa do encontro com nomes como Renata Correia
Botelho, Paula de Sousa Lima, Leonor Sampaio Silva, Mariana Magalhães e
Cristina Quental (todas autoras que figuram no PRL), Isabel Rio Novo, Diana Marcum
(vencedora de um Pulitzer), Clara Macedo Cabral, Lélia Nunes, Filipa Martins,
Dulce Garcia, entre outras senhoras, foi uma verdadeira mais-valia que,
certamente, em muito contribuiu para o sucesso do evento.
Da perspetiva da assistência, na qual me situo, este
encontro literário foi um êxito estrondoso que em muito engrandece,
primeiramente, a Literatura e depois Ponta Delgada, São Miguel e os Açores, em
geral. Julgo que entramos agora na rota dos grandes acontecimentos
literários que se realizam no nosso país e, aberta esta janela, haja
discernimento por parte das entidades oficiais para perpetuá-la.
Por tudo isto e mais, e porque ninguém louva aquilo que não
gosta, a todos os envolvidos, mas com especial destaque ao curador do encontro,
o multifacetado Nuno Costa Santos, assim como aos parceiros que se uniram a
este projeto, um reconhecido obrigado!
Para o ano, cá vos esperamos!
Telmo R. Nunes
21 de novembro de 2018
sábado, 25 de agosto de 2018
In Açoriano Oriental
Começam a rarear os bons adjetivos que qualifiquem condignamente a obra ficcional de Joel Neto, um dos expoentes mais cintilantes do atual panorama literário português. “Meridiano 28 O poder redentor das grandes histórias” é o último romance do autor de “Arquipélago” ou “Vida no Campo”, e nele é feita uma apologia ao amor, nas mais diversas formas de o sentir.
“Podia ser Morgan Freeman, mas não era.”: eis a entrada que nos conduz a uma viagem no tempo, desde 2017 até 1939, com paragens obrigatórias em diferentes épocas e geografias mundiais. “Meridiano 28 O poder redentor das grandes histórias” arranca na Lisboa contemporânea, mas rapidamente se muda até uma Nova Iorque dos finais do século passado, onde C. Devon Fitzhugh, um excêntrico personagem, incita José Filemom Abke Marques, o narrador do romance, a escrever um livro, buscando a verdade sobre a presença de um agente nazi na ilha do Faial, arquipélago dos Açores.
A partir deste ponto, a ação desenvolve-se numa malha bastante complexa, mas nem por isso menos coerente. Com efeito, coerência e coesão entre todas as linhas narrativas nunca são colocadas em causa, e o rigor do detalhe encontra-se sempre presente ao longo de toda a diegese. Neste particular, sublinho o número de personagens enunciado na tábua inicial do romance – cerca de cem –, para que percebamos o trabalho hercúleo que o autor despendeu nesta intrincada teia de relações, para que da leitura resultasse – como resulta – uma escorreita sensação de que tudo se funde harmoniosamente.
O livro, que se divide em 5 partes, perpassa diversas épocas históricas e outros tantos pontos do globo, mas poder-se-á afirmar que o âmago do plot se reporta à ilha do Faial, nos idos anos 30 e 40 do século passado, a partir de onde o narrador se vê obrigado a reconstituir a vida de um familiar recém-falecido – Hansi Abke. Neste período, e com a II Guerra Mundial em pano de fundo, é-nos servida uma cidade da Horta cosmopolita, alegre, jovial, visitada amiúde por estrelas de cinema, desportistas e outros famosos de renome internacional, dos quais se destacam a bailarina Mitzi Mayfair ou o aviador Antoine de Saint-Exupéry, que amaravam no porto da Horta a bordo, entre outros, dos potentes Yankee Clipper, da Pan American.
Inversamente ao clima de guerra e à mortandade que cobriam de sangue quase toda a Europa continental, vivia-se então na pequena ilha do Faial um peculiar alheamento de todo aquele cenário dantesco. Ingleses e alemães conviviam em sã harmonia, fruto, sobretudo, da exploração dos cabos telegráficos, tão frutuosos na primeira metade do século passado. Uns e outros bailavam na Sociedade Amor da Pátria, faziam piqueniques nos locais mais idílicos da ilha, jogavam partidas de bridge, de ténis ou de croquet. Vivia-se um clima de aparente letargia face ao implodir de uma guerra com efeitos tão devastadores para ambas as partes.
«Natália (…) descrevia o naufrágio do U-581 ao largo da ilha do Pico, após um combate com uma flotilha de destroyers ingleses, em pleno Canal, a que muita gente pudera assistir a partir da doca da Horta (…)».
Ainda que de forma inusitada, todos na ilha pareciam querer assumir o papel de espetadores apáticos perante partição da Europa e do mundo.
Tal como em outras obras, também nesta, Joel Neto manifesta uma relação de amor com as ilhas açorianas, não se deixando cair, contudo, na tentação de se ater apenas a elas. A partir das ilhas dos Açores, mas olhando-as e integrando-as cuidadosamente num mundo mais amplo e complexo, ele compreende e (des)escreve um dos mais importantes acontecimentos da história de toda a humanidade. A sua cosmovisão, a sua concepção do mundo encontram-se bem patentes em cada uma das 420 páginas que perfazem a obra, mantendo, ainda assim, a génese discursiva na ilha, que nunca é deixada para trás. Não obstante tratar-se de um exercício de difícil execução (e isto é distintivo apenas dos grandes autores), ele vê os Açores como parte integrante de um mundo; o arquipélago é colocado lado a lado com geografias tão diversas como Lisboa, Nova Iorque, Friburgo, Porto Alegre ou Praga e, em momento algum, se nota ‘um forçar’ da açorianidade, antes se deixa transparecer um sentimento telúrico harmoniosamente integrado na mundividência própria do autor.
A este propósito não há como não recordar a mónita lançada por Daniel de Sá aos escritores açorianos, onde apelava que não cedessem aos lugares-comuns quando se tratasse de “cantar a terra”. Joel Neto interpreta isto na perfeição, não se inibindo de retratar os Açores sempre como parte de um todo maior, e fá-lo sem que isso belisque, um pouco que seja, a sua condição de ilhéu açoriano. Fá-lo com grande mestria, sem renegar, jamais, as origens que o trouxeram a este patamar de excelência, onde agora se encontra. Percebe-se que as fronteiras que a ilha impõe não foram suficientes para, de alguma forma, lhe manietar um espírito integral.
Por se retratar um período histórico que, pessoalmente, muito me diz, e pelo qual nutro especial interesse, confesso que a leitura que efetuei terá sido bem mais fugaz e sentimental do que propriamente técnica, mas confesso que não me arrependo. É um romance apaixonante, daqueles capazes de nos extasiar desde a primeira à última página.
Vale a pena ler autores açorianos!
Telmo R. Nunes
a 19 de agosto
de 2018
sábado, 14 de julho de 2018
quinta-feira, 12 de julho de 2018
segunda-feira, 9 de julho de 2018
sexta-feira, 6 de julho de 2018
domingo, 29 de abril de 2018
segunda-feira, 9 de abril de 2018
sábado, 24 de março de 2018
Mercado tradicional
Há dois tipos de pessoas no mundo: os que apreciam os mercados tradicionais ao sábado de manhã, e os outros.
Agrada-me pertencer ao primeiro grupo -- fascina-me a paleta de cores servida e à disposição do olhar; inebria-me o cheiro fresco a fruta colhida há pouco; seduz-me o pulsar das gentes que ali procuram a recompensa pela tez marcada pelo trabalho!
quinta-feira, 22 de março de 2018
sábado, 17 de março de 2018
In Açoriano Oriental
A propósito de «Causas da Decadência dos Povos Peninsulares Nos Três Últimos Séculos», redigido por Antero de Quental:
Por ocasião da comemoração do 175.º aniversário de Antero de Quental, recuperei a obra decorrente da intervenção com que o autor abriu as Conferências do Casino, decorria o ano de 1871.
Primeira parte: Eu diria que um livro se cumprirá assim que conseguir marcar, de forma indelével, o seu leitor, impelindo-lhe questões interiores e exigindo-lhe, ao mesmo tempo, respostas absolutas. Uma leitura destas deverá potenciar mutações de pensamento e, consequentemente, mudanças de atitude, ou, pelo contrário, reforçará, cabalmente, crenças e traços de personalidade.
Haverá um elevado número de fatores endógenos e outros tantos exógenos que condicionarão uma leitura assim tão marcante, desde logo o estádio etário do leitor, a sua maturidade intelectual e desenvolvimento sensorial, o rol de vivências, assim como os meios familiar, socioeconómico ou demográfico, entre outros. Para que o fenómeno se dê, e uma leitura assim ocorra, terá de se agregar um conjunto de circunstâncias a que, ousadamente, designaria de ‘casualidades felizes’.
Este, a que hoje me reporto, abalou-me crenças e convicções. Infligiu-me grande inquietude de pensamento, agitando, ao mesmo tempo, a génese das origens, as fundações da minha própria educação.
Segunda parte: Um grande filósofo, pensador e professor incentivou-me certa vez a leitura do texto «Causas da Decadência dos Povos Peninsulares Nos Três Últimos Séculos», redigido por Antero de Quental: «- É fundamental! Devemos primeiro perceber o passado do nosso país, para melhor perspetivarmos o seu futuro» – aconselhava.
Adquiri a obra, encetei a leitura e percebi por que motivo me fora recomendada, por que razão sobrevivera este texto não apenas ao constante passar do tempo, como também ao encerramento das próprias Conferências de onde brotara. Embora tido agora como atemporal, foi redigido a propósito do dia 27 de maio de 1871, por ocasião da abertura das “Conferências do Casino”, as tais dos grandes vultos do “Grupo do Cenáculo”, os da “Geração de 70”, as mesmas proibidas por Portaria do Ministério do Reino, em junho desse mesmo ano!
O texto – maravilhoso – agradou-me sobremodo, não apenas pelo retrato da sociedade civil de então, (com a qual ainda se podem estabelecer paralelos formidáveis) mas também, e essencialmente, porque me inculcou no espírito umas tantas questões às quais não consegui dar resposta imediata e me consumiram a quietude durante largo período.
Segundo Antero, as causas que estariam na base da decadência dos povos peninsulares passariam pelos Descobrimentos de novos mundos, pelo Absolutismo régio e pela transformação do Catolicismo, por via do Concílio de Trento.
As duas primeiras razões apontadas, embora inegavelmente complexas, são de clara perceção; a explanação sugerida é elucidativa e, corroborando-a ou não, ali ficam demonstrados possíveis fundamentos para o atraso no desenvolvimento da Península, comparativamente com os países europeus. A terceira e última razão aludida foi a que me suscitou grande desassossego e me conduziu a uma jornada ao âmago das minhas certezas.
Atente-se:
“Ora, a liberdade moral, apelando para o exame e a consciência individual, é rigorosamente o oposto do Catolicismo do concílio de Trento, para quem a razão humana e o pensamento livre são um crime contra Deus…”
ou ainda:
“Na sessão 14ª de Trento é a consciência cristã definitivamente encerrada. Sem confissão não há remissão de pecados! A alma é incapaz de comunicar com Deus, senão por intermédio do padre!”
É um texto farto em frases duras, pelo menos, para quem cresceu e foi educado no seio de uma família que se reja sob os preceitos do Catolicismo.
Terceira parte: Então, Cristianismo ou Catolicismo? Haverá ou não lugar a ‘um Cristianismo’ fora dos ditames do Catolicismo? Este amordaça e amedronta os seguidores, os crentes? Inibe-os ou não de viver em pleno o Cristianismo; inibe-lhes ou não a vivência em Cristo? Não será já o Catolicismo uma adulteração humana daquilo que deveria ter sido a fé Cristã, pura e simples, individual e, ao mesmo tempo, coletiva?
A noção genérica em que creio passa pelo Cristianismo como a génese da religião, a base de sustentação, o pilar que conduz à crença em Deus - Pai, Jesus Cristo - Filho, acompanhados pela força de um Espírito Santo. Tenho como certa a base em Jesus Cristo e que se trata, sobretudo, de sentimento. No que ao Catolicismo concerne, instigaram-me a crença de que ‘caminhava lado a lado’ com o Cristianismo, numa demanda que dura há já mais de dois milénios. Transmitiram-nos que uma completava a outra, mas, ponderando, necessitará o Cristianismo de qualquer complemento?
Hoje percebo mais facilmente aqueles que encaram o Catolicismo com algum distanciamento, que o veem como uma forma ou instituição, e que o reduzem a uma norma que modela a forma de viver e de sentir o Cristianismo. Percebo que o encarem como uma mera disciplina a seguir, que será (ou não) dispensável. Percebo que questionem se serão necessários estes preceitos concebidos pelos homens que nos antecederam para que se consiga viver em plenitude o Cristianismo...
Com efeito, ao olhar para todos os cerimoniais que se nos apresentam quotidianamente, o que se vê para além de encenações quase teatralizadas, e, em alguns casos, até idolatrias? Por que razão há cerimoniais e datas rigidamente estabelecidas para que se possa cumprir plenamente a vivência em Cristo? – bem sei que a qualquer altura se pode fazer a remissão dos pecados, mas naquelas datas específicas deve-se fazê-lo, sob pena de se cometer um “pecado maior”. E por que razão é necessário um intermediário para fazê-lo? Não será este um caminho de inibição? E recordemos, também, as atrocidades cometidas pelo Santo Ofício ao serviço destes preceitos católicos…
Que lugar deixa o Catolicismo às liberdades individuais? Tudo é regido por preceitos estritamente definidos: aquele que se rebele será herege, o que hoje não carregará o peso de outros tempos, é certo, mas, ainda assim, será apontado como diferente, pelo menos!
Não terá ido o Catolicismo um pouco longe de mais, adulterando as aspirações despretensiosas, simples, mas, ao mesmo tempo, plenas e sacras do Cristianismo? Esta igreja assim estruturada, que lugar deixa ao sentimento simples, espontâneo e sincero?
Naturalmente, o disserto anteriano é substancialmente mais vasto, rico e prodigioso do que aquilo que alguma vez poderia aqui deixar apontado. Na edição da obra que possuo, prefaciada pelo professor Eduardo Lourenço, usam-se expressões como «memorável intervenção» ou «referência mítica» e, aludindo a ideia inicial deste escrito, creio que cumpre ‘religiosamente’ a sua função maior: impelir questões, exigindo respostas!
Não será este o intento final de todo e qualquer bom texto?
Telmo R. Nunes
16 de fevereiro de 2018
segunda-feira, 5 de março de 2018
sexta-feira, 2 de março de 2018
quinta-feira, 1 de março de 2018
Vamos falar de Literatura?
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Independentemente do que se possa
sentir pela Literatura produzida nos Açores ou pelos autores açorianos,
permitir-me-ei julgar que, com toda a justeza, estes deveriam ser acarinhados
por todos, sem exceção. No entanto, tenho lido que, por cá, não haverá uma
divulgação adequada ou, pelo menos, suficiente das obras dos autores regionais.
Não sei se corroboro esta ideia, mas, confrontando-a com a realidade de outras
regiões do país, parece-me, pelo menos, digna de reflexão séria.
Entremos,
por exemplo, na livraria Bertrand de Ponta Delgada e vejamos, com algum
cuidado, a prateleira que espreita ao fundo, anunciando a todos quantos ali
passem: “Autores Locais”. Ora, não conheço estante com propósito similar em
qualquer outra loja desta distribuidora nacional.
Depois,
recorde-se o dinamismo da livraria Leya Solmar, esse “centro cultural” ao
serviço da literatura de raiz açoriana, bem no centro da cidade de Ponta
Delgada: lançamentos, tertúlias, “Livros do ano”, encontro com escritores,
montras permanentes e exclusivamente dedicadas aos nossos autores.
Recordemos,
também, a pujança que agora demonstra o Centro Natália Correia, no que ao
lançamento de obras de autores locais diz respeito.
Por outro
lado, entrando numa das mais concorridas superfícies comerciais da ilha de São
Miguel e dos Açores – Solmar, em São Gonçalo –, facilmente somos cativados
pelas estantes exclusivas e repletas de livros de autores açorianos. Adite-se
que as mesmas se encontram em local de grande destaque. Embora, pessoalmente,
não aprecie a compra de literatura nestes espaços, a verdade é que eles
existem, e são, efetivamente, uma forma prática de colocar o livro próximo do
leitor.
Tenhamos em
mente, também, o espaço semanal que os principais jornais da ilha conferem à
recensão literária, tantas vezes dedicada à literatura produzida no
arquipélago. Não sendo o ótimo, é já significativo e digno de registo!
Relembremos,
entre tantas atividades de grande valia promovidas pelas editoras regionais, a
“Festa do Livro dos Açores”, dinamizada pela Publiçor/Letras Lavadas, onde, à
beira-mar e em plena época turística, centenas de títulos de autores açorianos
puderam ser dados a conhecer…
Considere-se
o destaque que “Temática Açores” traz aos autores locais! Um apêndice da CDU
(Classificação Decimal Universal), a “Temática Açores” cataloga e deposita as
obras de autores e temas açorianos em prateleira própria, conferindo-lhes claro
destaque. Isto não é frequente fora do arquipélago! Em qualquer biblioteca fora
dos Açores iremos encontrar a poesia de Antero bem próxima da do Camões, por
ambos serem dois grandes poetas portugueses. Por cá, em algumas bibliotecas, um
é açoriano, outro é português, e, por isso, “habitam” estantes distintas.
Atentemos
no empenho que a Associação de Antigos Alunos do Liceu Antero de Quental tem
vindo a despender junto dos atuais discentes e respetiva comunidade educativa,
no sentido de promover a obra e o patrono daquela instituição.
Consideremos
as Antologias de Autores Açorianos Contemporâneos (ed. AICL, Calendário de
Letras) lançadas recentemente, uma, inclusivamente, bilingue, numa tentativa de
fazer chegar aos nossos emigrantes o que de melhor se escreve pelos Açores, e
outra privilegiando o texto dramático, tantas vezes encarado como “parente
pobre” da nossa Literatura. Não esqueçamos os “Cadernos (e suplementos) de
Estudos Açorianos”, onde vida e obra de 33 autores (!) são disponibilizados
para consulta gratuita. Recordemos, ainda, a recente edição da “Bibliografia
Geral da Açorianidade”, que contempla cerca de 19500 verbetes, inscritos em
dois tomos de 800 páginas cada, totalmente dedicadas ao trabalho literário
produzido sobre os Açores, açorianos e tudo que à Açorinidade respeita.
Por outro
lado, tenhamos presente o empenho da SREC na integração da disciplina de
História Geografia e Cultura dos Açores, na matriz curricular dos alunos
açorianos. Creio tratar-se de um espaço onde facilmente se disseminarão os
principais textos dos maiores vultos da Literatura produzida no arquipélago.
Contemos
com os prémios literários (dois, pelo menos, de âmbito nacional) que
privilegiam obras inéditas, referenciáveis aos Açores.
Tenhamos em
mente que os Açores dispõem de um Plano Regional de Leitura próprio que,
aproveitado em subaproveitamento, destaca dezenas de obras de alguma forma
relacionadas com o arquipélago.
E depois,
bem, depois há o esforço desenvolvido em cada Unidade Orgânica do sistema
regional de educação. Embora creia que o oposto também possa ocorrer, julgo
que, na grande maioria das escolas do arquipélago, os escritores açorianos são
muito acarinhados, quer por alunos, quer pela generalidade do pessoal docente.
Na realidade que conheço, são colocadas em prática diversas atividades
específicas de promoção da Literatura produzida por cá. A cada ano letivo são
trabalhados muitos autores, seja a nível biobibliográfico, seja através de
oficinas de escrita ou a partir da sua própria produção textual, no apoio ao
desenvolvimento de competências fundamentais. Sob a orientação dos professores
de Português, algumas destas atividades são realizadas pelos alunos, em
estreita colaboração com os próprios escritores, o que favorece sobremodo a
aquisição de conceitos e/ou desenvolvimento de competências. Outras são levadas
a efeito com a cooperação de Bibliotecas e outras entidades exteriores à
escola. Refiram-se, também, os sempre enriquecedores encontros de alunos com
autores, onde se incendeiam de curiosidade auditórios a abarrotar. Não menos
importantes são as atividades desenvolvidas no interior das salas de aula, onde
o professor de Português coloca em prática a silenciosa responsabilidade de
difundir junto dos mais jovens aqueles textos de raiz açoriana de reconhecida
qualidade literária.
Por tudo
isto e mais, não creio que o problema esteja na difusão deficiente ou
desadequada da obra dos autores açorianos. Eventualmente, considerando o todo
nacional, até concebo que essa dúvida se coloque, mas, convenhamos, também não
há especial destaque conferido aos escritores minhotos, alentejanos ou
algarvios. É certo e desejável que mais e melhor poderá ser feito, mas é,
também, inegável o esforço que se tem produzido no sentido de engrandecer os
“nossos nomes de referência”!
Do meu
ponto de vista, o motivo de tais considerações encontra-se no fraco volume de
vendas que estas obras arrecadam. No entanto, a explicação encontrar-se-á a
jusante de todo este processo. De uma forma geral, as pessoas leem muito pouco,
e, quando por algum motivo o fazem, dão preferência, quase sempre, aquele
escritor da moda, aquele que até escreve umas “frases bonitas”, e as transforma
em posts coloridos por essas redes sociais fora.
Bem sabemos
que, tendencialmente, não valorizamos o que é nosso, mas, no que à Literatura
produzida nos Açores diz respeito, parece-me até que muito se tem conseguido, e
ainda bem! Tudo aquilo que se puder fazer para engrandecer a Literatura de raiz
açoriana será, com certeza, bem-vindo por todos aqueles que honram este
“arquipélago de escritores”!
Afinal,
como já afirmou um reputado crítico literário português, “Há qualidade açoriana
para um Prémio Nobel”.
A todos,
boas leituras!
Telmo R. Nunes
a 28 de fevereiro de
2018
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