quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Quem tem amigos...
Não percebi muito bem como tal terá acontecido, mas a verdade é que só quando fui arquivar a Revista GROTTA #2 é que depreendi que não comprara a número 1, correspondente ao ano de 2016! Ups...
Livrarias, hipermercados, vendas online » ESGOTADA!
Palavra puxa palavra, contacto puxa contacto... Chegou hoje!
Nice!
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
sábado, 24 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
domingo, 11 de fevereiro de 2018
sábado, 10 de fevereiro de 2018
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
terça-feira, 6 de fevereiro de 2018
Treasure Island
Eu sempre acreditei que o Capitão Flint, o Long John Silver e jovem Hawkins tinham passado por Ponta Delgada! Aqui fica a prova cabal!
Esta sim é a verdadeira "Ilha do Tesouro"!
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
na ausência do GPS...
«(…) decide comprar um
mapa e, se lhe tivessem feito a pergunta se ia viajar, responderia
afirmativamente. Precisava de encontrar novamente o caminho que atrás deixara
perdido. Sentia a falta daquela seguridade típica de quem percorre o trilho com
a certeza de encontrar aquilo que deseja e, por isso, resolveu comprá-lo.
Seria um mapa pequeno,
nada de muito complicado. Não teria ruas, nem estradas, nem locais, nem nomes,
nem nada. Aliás, no seu mapa não haveria nada escrito ou impresso. Seria apenas
uma folha em branco onde, a custo, iria então desenhar a estrada pela qual
pretendia caminhar.
No local de venda, por
certo, haveria vários. Alguns até bem mais bonitos! Uns maiores, outros mais
coloridos, alguns novos, outros gastos pelo tempo. Mas por esses já ela se tinha
guiado e o resultado nunca fora muito auspicioso. Ao fim de pouco mais de três
passadas, invariavelmente, verificava que estava completamente perdida, o que a
obrigava sempre a um recuo indesejado.
Agora, com o seu novo
mapa, a jornada seria um pouco diferente. Tomaria a direcção certa e, aos
poucos, alcançaria o tão desejado descanso.»
Telmo Nunes, Inês – A Dualidade de uma
Vida, Págs. 60 – 61 Chiado Editora, 2012
sábado, 2 de dezembro de 2017
In Açoriano Oriental
O
Outro Lado do Mundo -
Prémio
de Humanidades Daniel de Sá
“Aqui,
onde as águas têm o apelo da quietude,
o
meu pensamento contraria-as”
in, O Outro Lado do Mundo,
Paula de Sousa Lima
Paula de Sousa Lima
Por imposição laboral, vi-me
obrigado a faltar à chamada de apresentação das obras galardoadas com o “Prémio
de Humanidades Daniel de Sá”, referente ao ano de 2016. Tive pena! Gostaria de
lá ter estado para, condignamente, homenagear os autores premiados: no Ensaio,
Pierluigi Bragaglia, e na Criação Literária, Paula de Sousa Lima.
Relativamente ao Ensaio Novas Luzes sobre Povoamento e Topónimos das
Flores e Corvo: João da Fonseca e António Carneiro no Reino, em São Tomé e
Príncipe, em Cabo Verde e nos Açores (sécs. XV-XVI), de Bragaglia, confesso
que não li, muito embora, considerando a exigência imposta neste “Prémio de Humanidades
Daniel de Sá”, presuma tratar-se de uma obra de qualidade superior, pelo que a
sua leitura não há de atrasar.
Relativamente a O Outro Lado do Mundo, da autoria da
professora e escritora Paula de Sousa Lima, encetei a leitura logo que me foi
possível - a curiosidade a isso obrigou, e ainda bem que assim foi!
Surge-nos um texto requintado quer
na forma, quer pelo conteúdo que nos é oferecido. N´O Outro Lado do Mundo, nem tudo são rosas e contentamentos! Por se
tratar de uma narrativa localizada, essencialmente, na ilha de São Miguel, não nos
fiquemos pela elementar presunção de que leremos somente sobre agradáveis
passeios em tardes soalheiras ao longo das verdejantes cumeeiras que, do alto,
entreveem e protegem a lagoa de todos os amores. Como fica expresso no derradeiro
texto deste livro, e em jeito de epílogo, há que considerar o «desassossego» da
própria autora, o seu afastamento da «quietude» propagada pelo suave andamento
do mar que a todos nos confina. Não! Aqui reproduz-se o outro lado desse mundo
lisonjeiro, polido e mavioso; nele encontraremos o reverso do luzente buliço
citadino, «Um lado onde nada se acerta pelas certezas que foram instituídas
pela boa sociedade, aquela que só peca se o pecado puder ficar escondido numa
conchinha (…).» É-nos arremessada a
vida tal como ela é: sem recurso a eufemismos, adornos ou embelezamentos falaciosos.
Por aqui deambulam viciados em cocaína com tendências suicidas, uns sem-abrigoque
todos conhecem e para os quais nunca há tempo, mendigos acompanhados por cães
esqueléticos que também são lazarentos; convivem homens e mulheres que «bebem
vinho manhoso pela garrafa ou pelo pacote», e cujos dentes são «escuros da podridão vinda das entranhas
carcomidas pelo álcool»; vagueiam
ex-reclusos que não arranjam trabalho por terem lavado a honra em águas
manchadas pelo adultério; descreve-se friamente a sujidade de «indigentes,
tomados pelo vício», ou as rotinas atrozes de uma «puta fina» caída em desgraça e
tomada pela idade. Aqui assume-se «A condição humana desencarnada daquilo que a
torna aceitável (…)». O ‘ultraje’ é desenhado capítulo após capítulo, afinal,
somos colocados diante a «cloaca social da cidade».
A cada trecho, a autora – que domina
com mestria a arte de bem escrever – consegue que o leitor sorva cada vez mais
este outro lado da vida. Por via do relato veiculado pelo narrador – um mudo
que se assume como observador de episódios vários, e os narra com uma subtileza
rara – vemo-nos impelidos a, interiormente, mapear as diferentes dimensões da
vida que coexistem no mesmo espaço físico. A obra assume-se como um claro
convite à análise a esta dicotomia entre o lado benigno e aceitável da vida e
esse outro escuso que, por conveniência, procuramos sempre ocultar nos
recônditos do esquecimento.
Apesar do distanciamento que a
ficção impõe, a autora localiza todos estes episódios na cidade de Ponta
Delgada. Neste particular, poderão os leitores locais afigurar-se como
favorecidos por lhes ser mais acessível situar in loco a ação narrada, dado o recurso à toponímia atual da maior
cidade do arquipélago. Como o fizera o ‘poeta da cidade’, Emanuel Jorge
Botelho, na obra 30 Crónicas, também
Paula de Sousa Lima manifestou neste O
Outro Lado do Mundo um verdadeiro ato de amor pela urbe, «Conheço-lhe o
espaço: cada rua, cada travessa, cada passeio, cada esquina, cada recanto, cada
jardim, cada contorno de sombra que se enrosca no corpo das casas».
O
Outro Lado do Mundo é
também e ainda um notável hino ao Humanismo. Aliás, esta será, certamente, a
característica mais arreigada a toda a obra. Encontramo-lo bem patente na forma
como a autora - pelos olhos do narrador - vê o meio que a envolve, condiciona
e, em certa medida, protege. É colocado em evidência o modo como a «boa
sociedade» olha para os mais desfavorecidos, cujos trajetos de vida divergiram
dos tidos como exemplares. Para aqueles, dar uma esmola não é mais do que «alimentar
vícios» de quem «precisa é de trabalho». Em pleno Convento da Esperança, senhoras
e senhores distintos insistem em reclamar para si a misericórdia divina,
clamando pelos favores do Senhor Santo Cristo dos Milagres, mas, uma vez no
exterior, são incapazes de perceber porque «não limpam o Campo» daqueles que a
sociedade sacode «como moscas inoportunas». Por oposição, onde a maioria
vislumbra apenas a escória social, o narrador (que é da mesma forma um vizinho
extremoso, um prudente sobrinho e um verdadeiro amigo do seu amigo) vê «gente»,
gente que age apenas como gente. «Não é bonito, não é edificante. É humano». Renega-se
a altivez e o pretensiosismo e, em contraste, enaltece-se a condição humana do Ser.
Os méritos desta obra recaem,
ainda, no que ao aspeto formal concerne e, reservas existissem sobre o
virtuosismo da autora finalista do Prémio
Leya 2016, pode afirmar-se que estamos perante uma obra que será, no
mínimo, uma referência da literatura contemporânea produzida nos Açores. O
leitor é constantemente surpreendido: o expectável não acontecerá. Recordo com
agrado as situações dialogais, na sua forma pouco convencional, assim como o
recurso a mecanismos de narração de difícil manejo, mas que, em larga medida, dotam
o texto de um ritmo energético, que tão bem lhe assenta.
A terminar, uma palavra de apreço
e alento a todos os promotores e intervenientes neste prémio. Depois da obra Mau Tempo e Má Sorte - Contos Pouco
Exemplares, em 2014, da autoria da professora Leonor Sampaio Silva, surge-nos
este O Outro Lado do Mundo, como seu
digníssimo sucessor, elevando a fasquia da qualidade a níveis que, em larga
medida, dignificam o patrono que empresta nome a este Prémio Literário!
A todos, mas especialmente aos
galardoados, muitos parabéns!
Telmo
R. Nunes
a 23
de novembro de 2017
quinta-feira, 14 de setembro de 2017
You'll never walk alone
segunda-feira, 1 de maio de 2017
Os TPC'S e as pautas, por Joaquim Machado
quinta-feira, 27 de abril de 2017
Saudade
Desse-se o caso de a saudade
enrugar, dir-se-ia que a que me acompanha e que comigo divide a existência era
já vista, pelo menos, como bem entrada na idade.
A minha saudade é uma saudade
adulta, bem alimentada pelo tempo e assaz nutrida pelo espaço. O distanciamento
a que me sujeitei foi-lhe engordando as ilhargas, obrigando-a, hoje, a
expandir-me o peito num sofrimento antigo, ao qual, por devoção, não quero dar
tréguas.
Sempre lhe dei toda a atenção que,
julgo, merece, mas reconheço que a minha saudade é daquelas que lacera, que faz
questão de, a cada dia, se fazer notar com maior intensidade.
Não sei se se pode chegar a
morrer de saudade, mas duvido, também, que se possa designar de viver uma
coexistência assim, quase insuportável.
Não quero com isto dizer que,
podendo, a extinguiria em mim.
NÃO! ISSO NUNCA!
É a saudade que me aguça a memória.
É ela que me afia o lápis dos sentidos e me redesenha cada rosto, cada
expressão, cada momento vivido e que vale a pena ser recordado.
A saudade que me habita não é de
cá, não tem endereço aqui. Não se quis ilhoa, nem creio que alguma vez se venha
a ilharizar. A minha saudade cresceu
e vive clandestina, tem o seu próprio tempo e o seu próprio espaço.
A minha Saudade.
Telmo R. Nunes
26 de abril de 2017
quarta-feira, 19 de abril de 2017
Janela da Memória
Vejo-me na Praça Dr. Luís, a
chegar ao antigo edifício da Câmara Municipal e lanço-me até à janela da minha
infância: a mais baixa e mais à esquerda para quem sobe a antiga escadaria que
se ergue desde a estátua da Venerável Sílvia Cardoso.
Paro.
Varrido pela lembrança, recordo,
com nostalgia, as inumeráveis vezes que lá me dirigi em busca da figura materna que, do outro lado do vidro e por mais de três décadas, ali se
debateu pelo conforto das nossas vidas. Umas vezes, rogando-lhe moedas com
sabor a morango fresco e baunilha crocante, outras, por intuitos de somenos
importância, e de que agora não tenho memória.
Chegado ao limiar da janela, que
erradamente recordava de guilhotina, percebo que já não preciso subir ao beiral
inferior da fachada para vislumbrar o interior de toda a sala. O tempo
encarregou-se de me poupar a esse esforço. Aproximo-me e percebo, com alguma tristeza,
a madeira corroída e implacavelmente pelada pela força dos elementos. Num toque
que busca outro tempo, deslizo os dedos pela ombreira e noto que caem por terra
lascas de madeira solta e gasta, adornadas, ainda, por um verde que é escuro, salpicado
por memórias de uma infância feliz.
Sentindo os pés assentes num chão
que é o meu, perpasso a nobreza do edifício e corporizo a memória do mais
intenso contentamento: vislumbro o velhinho Carvalho de Paços! Ele, que conta
com mais de três séculos, guarda segredos e memórias para sempre caladas, e
resiste, estoicamente, ao passar do tempo.
Ao contrário dos gladíolos de
Sophia, o meu Carvalho jamais deixará de estar na moda. Dado como morto três ou
mais vezes, outras tantas foi trazido à vida pela feitiçaria mais bondosa de
que há conhecimento, e foi, em boa hora, imortalizado na heráldica pacense. Dizem que de lá do alto interpreta a “firmeza e longevidade” do meu povo.
Pois que assim seja!
Telmo R. Nunes
19 de abril de 2017
quarta-feira, 5 de abril de 2017
A propósito da obra "30 Crónicas", de Emanuel Jorge Botelho
| "30 Crónicas" Vol. I e II Emanuel Jorge Botelho com ilustrações de Urbano Letras Lavadas | Artes e Letras |
Consta que os primeiros marinheiros que cá chegaram, deram a ilha como desabitada.
Redondo engano.
Deus já cá estava. Há muito tempo.
Redondo engano.
Deus já cá estava. Há muito tempo.
Escritas pelo professor Emanuel Jorge Botelho, estas crónicas surgem-nos como um verdadeiro mapear de vivências tidas ao longo dos anos e em primeira pessoa: umas derivadas desde a memória da infância, outras tidas a partir da idade adulta, e sempre acolhidas geograficamente pela bela cidade de Ponta Delgada...
Pautadas por temas recorrentes como afinidade paternal, o vínculo psicológico ao mar e sempre a relação com Deus, Emanuel Jorge Botelho oferece-nos um manancial de textos escritos em uma prosa poética como há muito não lia, e ao alcance de muito poucos...
Uma belíssima surpresa!
segunda-feira, 3 de abril de 2017
O Leitor
![]() |
| .::Imagem retirada a partir do Google::. |
“Banham-se,
depois ele lê, ela escuta, e finalmente fazem amor” – eis o ritual de Michael
Berg e Hanna Schimitz, um atípico casal alemão do final da década de 60. Ele,
um rapaz de tenra idade, adolescente apaixonado por uma mulher madura e
sexualmente bem mais experiente. Ela, mais velha, autoritária mas possuidora de
uma beleza física invejável. Eis o mote à obra de Bernhard Schlink,
recentemente adaptado ao cinema.
É
uma história de amor condenada à partida. Brota de uma natural casualidade e
prolonga-se no tempo obedecendo cabalmente a um conjunto de rituais em relação
aos quais se luta para que não se alterem. Tem o seu término com o abrupto
desaparecimento de Hanna. Só anos mais tarde e numa localização
espácio-temporal muito pouco provável se voltam a encontrar, reacendendo uma
chama há muito aligeirada, mas nunca extinta…
É
um livro essencialmente marcado pela sua história. De facto, o desenrolar do
enredo cria no leitor uma vontade imensa de continuar, faz emergir imagens e
conduz a imaginação a hipotéticos acontecimentos. É um relato cativante.
Outra
vertente que me agradou foi, sem dúvida, o relato de um período
histórico/político fascinante. A ocupação Nazi, a II Grande Guerra, os
dolorosos campos de concentração. Tudo ingredientes a uma reflexão intimista e
cruel sobre a legitimidade de uma geração, ou até mesmo de um povo.
É
realmente uma história extraordinária!
Contudo,
não partilho da opinião da crítica em geral que o classifica numa frase:
“brilhantemente pensado e escrito” - Parece-me demasiado... É certo que se
trata de relato pessoal e por demais marcado pela proximidade do autor ao
narrado, mas julgo que se impunha um pouco mais de aprumo lexical e um estilo
mais “elegante”… Tivessem esses cuidados, entre outros, e fariam deste um livro
de referência na Literatura Alemã.
Telmo
R. Nunes
30/Outubro/2009
sábado, 1 de abril de 2017
segunda-feira, 20 de março de 2017
domingo, 12 de março de 2017
quinta-feira, 9 de março de 2017
A Propósito da Promoção de Autores Açorianos - (re)conhecendo Daniel de Sá
| .::Espaço Daniel de Sá - Biblioteca Daniel de Sá, Ribeira Grande::. |
Embora presuma que o oposto também possa ocorrer, acredito que, na grande maioria das escolas, e porque assim o merecem, estas figuras maiores da Literatura portuguesa são muito acarinhadas, quer por alunos, quer pela generalidade do pessoal docente.
Alicerçando a minha concepção a partir de uma realidade que conheço e da qual faço parte integrante há já alguns anos – mesmo sendo de origens continentais – sei que são colocadas em prática diversas atividades específicas de promoção da Literatura produzida pelos nossos autores açorianos. A cada ano letivo são trabalhados muitos nomes, seja a nível biobibliográfico, seja a partir da sua própria produção textual, no apoio ao desenvolvimento de competências fundamentais.
Sob a orientação dos professores de Português, algumas destas atividades são realizadas pelos alunos, em estreita colaboração com os próprios escritores ou familiares destes. Outras são levadas a efeito com a cooperação de Bibliotecas e outras entidades exteriores à escola, sempre tão prestáveis no momento do desenvolvimento da literacia dos nossos alunos. Refiram-se, também, os sempre enriquecedores encontros de alunos com autores, onde se incendeiam de curiosidade auditórios a abarrotar. Não menos importantes são as atividades desenvolvidas no interior das salas de aula, onde o professor de Português coloca em prática a silenciosa responsabilidade de difundir junto dos mais jovens aqueles “textos açorianos” de reconhecida qualidade literária.
Este ciclo letivo, Antero de Quental, Vasco Pereira da Costa, Madalena San-Bento, Joel Neto e, reiteradamente, Daniel de Sá, entre outros, foram já nomes incluídos no universo literário dos alunos da minha escola e, poder-se-á lembrar que «a procissão ainda vai no adro», pelo que, ler autores açorianos está, mesmo, na moda!
A todos, boas leituras…
Telmo R. Nunes
domingo, 5 de março de 2017
Pelo Reino Maravilhoso das Sete Cidades
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
In Açoriano Oriental
O Labirinto dos Espíritos
Voltei à grande ficção espanhola, e propus-me encerrar a leitura da tetralogia,O Cemitério dos Livros Esquecidos, iniciada em 2001, pelo autor catalão Carlos Ruiz Zafón. Depois de A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo e O Prisioneiro do Céu, Zafón brinda-nos com O Labirinto dos Espíritos, e encerra com chave de ouro uma das mais lidas e traduzidas sagas literárias contemporâneas. Neste tomo, o enredo revisita os locais mais recônditos e, de alguma forma, mais tenebrosos da cidade de Barcelona, e tem como ponto de partida a Guerra Civil espanhola, e a ascensão do “Generalíssimo” Franco, a Chefe do Estado-Maior. Como mote à narrativa, e numa mescla entre realidade e ficção, Zafón serve-nos uma Barcelona impiedosamente bombardeada pela aviação italiana – ao serviço do Exército Nacionalista espanhol –, em março de 1939, e, partindo daí, corporiza um extraordinário enredo sustentado em personagens fantásticas e por um discurso cáustico e profundamente crítico sobre a sociedade política que sustinha o antigo Regime franquista.
Voltei à grande ficção espanhola, e propus-me encerrar a leitura da tetralogia,O Cemitério dos Livros Esquecidos, iniciada em 2001, pelo autor catalão Carlos Ruiz Zafón. Depois de A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo e O Prisioneiro do Céu, Zafón brinda-nos com O Labirinto dos Espíritos, e encerra com chave de ouro uma das mais lidas e traduzidas sagas literárias contemporâneas. Neste tomo, o enredo revisita os locais mais recônditos e, de alguma forma, mais tenebrosos da cidade de Barcelona, e tem como ponto de partida a Guerra Civil espanhola, e a ascensão do “Generalíssimo” Franco, a Chefe do Estado-Maior. Como mote à narrativa, e numa mescla entre realidade e ficção, Zafón serve-nos uma Barcelona impiedosamente bombardeada pela aviação italiana – ao serviço do Exército Nacionalista espanhol –, em março de 1939, e, partindo daí, corporiza um extraordinário enredo sustentado em personagens fantásticas e por um discurso cáustico e profundamente crítico sobre a sociedade política que sustinha o antigo Regime franquista.
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Segundo crê o autor, nesse período histórico,“A meritocracia e o clima mediterrâneo são necessariamente incompatíveis (…)”, e, pela sua mão, são trazidos à montra atual toda a corrupção, nepotismo, opressão e amiguismo político, vividos à época. São expostas, ainda, todas as atrocidades que se cometiam, impunemente, em prol do “bem nacional”, com especial incidência para os crimes praticados pelos responsáveis pelo sistema judicial, conferindo o autor particular ênfase àqueles perpetrados nas entranhas da Cadeia de Montjuïc, o cárcere de quase todos os opositores políticos ao regime ditatorial do caudilho espanhol.
Neste romance, Zafón presenteia os seus leitores com aquele ambiente mágico de verdadeiro mistério e aventura que marcara, de forma indelével, os três volumes que lhe antecederam. Tal como nos outros, também aqui são criadas expetativas e lançados engodos aos leitores mais incautos, assim como são vários os momentos de dramatismo, sem esquecer, ainda, aquela comicidade fina já distintiva da sua narrativa, especialmente repercutida pela personagem de Firmín Romero de Torres, o autodenominado “assessor bibliográfico da Livraria Sempere”, e inveterado apreciador de Sugus.
Em O Labirinto dos Espíritos, estamos diante de uma trama riquíssima, apurada, pujante e perfeitamente coerente. É uma narrativa que, paulatinamente, vai desfiando outras pequenas narrativas e, à medida que desenvolve, vai encorpando e ganhando cada vez mais forma e sentido. Embora surjam novas personagens (algumas das quais personagens tipo, arrisco), muitas das que aqui encontramos são já nossas conhecidas dos romances que integram este ciclo. Não obstante, e tal como nos é recordado numa nota anterior ao texto, esta é “uma história fechada, independente e válida por si só”.
Carlos Ruiz Zafón afirma-se, cada vez mais, como um sério candidato a sucedâneo europeu de Gabriel García Márquez, no que à qualidade descritiva concerne. Se com o desenrolar de algumas das narrativas de Gabo é verdadeiramente possível ‘sentir na pele’ o calor tórrido da pequena aldeia de Macondo, ao ler Zafón não será menos provável perceber na tez a carícia da névoa densa e fria que, por muitas vezes, se abate sobre as Ramblas barcelonesas.
Telmo R. Nunes a 5 de fevereiro de 2017
Telmo R. Nunes a 5 de fevereiro de 2017
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
O rapaz do pijama às riscas, de John Boyne
Um tema interessante.
Uma perspectiva diferente, mais
ingénua, infantil, até, das atrocidades cometidas pelos comandos Nazis,
especialmente nos Campos de Concentração, onde foram dizimados milhares de
judeus.
Uma narrativa leve ao serviço de
acontecimentos deveras pesados. Seja talvez esta a principal mazela de todo o
texto, muito embora, outra característica que o torna num escrito frágil, será
a própria narração pobre em detalhe. Embora o escrito seja destinado a um
público mais jovem (7.º ano de escolaridade), creio que se pedia um pouco mais
de profundidade e minúcia.
Outro aspecto que considero relevante, passa pela desmedida quantidade de
repetições, seja de expressões, seja no campo lexical. O que uns considerarão
estilo, eu apelidaria de monotonia.
É recomendado pelo Plano
Nacional de Leitura Ler +
Honestamente, e exceptuando o
final inesperado, não me cativou nem um pouco.
Telmo R. Nunes
15/Agosto/10
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
Revisitei a bela Macondo!
Revisitei
a bela Macondo!
Aproveitei estes dias de frenética intensidade
laboral e, por necessidade cerebral, escapuli-me até esse fascinante povoado, perdido
algures na América do Sul.
Como
em qualquer outra viagem, e como qualquer outro turista, não deixei de reunir recordações
que, mais tarde, me permitirão revisitar, ainda que no âmbito da memória, esse
espaço e essas pessoas tão distintas, quão especiais.
A
viagem decorreu num ápice. Foi daquelas que, uma vez começada, não mais
queremos ver terminada. Desejamos que se alongue, que demore o mais possível, e
qualquer pretexto serve para a prolongar por mais um dia apenas; assim foi o
meu regresso às infernais temperaturas sul-americanas.
Antevira
que a jornada fosse um êxito já que, quem me conduziria, já o havia feito antes
por duas vezes e o resultado fora sempre excepcional: um verdadeiro gáudio à
alma; um regozijo!
A
realidade que reencontrei é substancialmente diferente da que me abraça quotidianamente,
mas é também incrivelmente parecida e é, por essa razão também, muito
deslumbrante. Um povoado pobre, paupérrimo, até, onde ainda se vê cinema a céu
aberto, onde o roubo de umas simples bolas de bilhar consegue paralisar “toda
uma gente”. Uma terra que pára, um povo que estagna apenas porque um estranho
acaba de desembarcar do comboio que há anos não deixava ninguém por “aquelas
bandas”. Um povo, auto-denomidado crente em Deus, mas que não frequenta a
igreja dada a insanidade mental do pároco. Autoridades locais que usam e abusam
do erário público para fins pessoais... Corrupção e pureza co-habitam
pacificamente na pequena Macondo, terra onde todos os habitantes se conhecem e onde
alguns até se identificam apenas pelo odor…
À
minha visita deu-se o acaso de assistir ao funeral mais sui generis (!) que alguma vez irei, por certo, presenciar. Morrera
a “Mamã Grande”, a soberana da localidade e “rainha da fantochada”! – Um
espanto!
Adorei
esta viagem! Aliás, gostei tanto que não posso deixar de a recomendar a todos
que ainda não tiveram a fabulosa oportunidade de voar pelas páginas de «Os
Funerais da Mamã Grande», uma recente descoberta do, cada vez mais
interessante, espólio do mágico, Nobel da Literatura, Gárcia Márquez.
A
todos boa viagem!
Telmo
R. Nunes
06/Novembro/2009
(imagens retiradas a partir de www.google.pt)
(imagens retiradas a partir de www.google.pt)
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
In Açoriano Oriental
- Se eu fosse Deus, não teria feito o Mundo assim.
(in E
Deus Teve Medo de Ser Homem)
Escrita pelo
professor Daniel de Sá, esta novela apresenta-se como um documento singular, factualmente
rico, e de tributo a um povo perseguido, humilhado e, repetidamente, dizimado! A
história do povo judeu é-nos aqui descrita em dois planos temporais distintos.
São relatados dois momentos históricos de persecução, de aniquilamento, de
subjugação.
Resistindo a
um arranjo cronológico fácil, Daniel de Sá intercala o seu relato,dando-nos
conta quer do extermínio judeu levado a efeito pelos alemães Nazis de Hitler,
em pleno Holocausto, ou «[…]“Shoa”, a
palavra hebraica que os Judeus, mais propriamente do que nós, usam para
designar o “Holocausto”, e que significa “Catástrofe”.», quer do
aniquilamento exercido pelos romanos, quase dois mil anos antes de II Grande
Guerra Mundial.
O autor centra
a ação da novela nas atrocidades cometidas no Campo de Concentração de
Auschwitz, e brinda-nos com um relato emocionado, vivo, comprometido com o
descrito, o que não deixa de ser revelador da sua enorme sensibilidade e
humanismo. Como referiu Joaquim Matos numa recensão à obra «Ele fala-nos das coisas como se as tivesse
vivido, como se as tivesse sentido em situações concretas, com as feridas delas
decorrentes ainda abertas, no corpo e na alma.».
Por outro
lado, Daniel de Sá consegue, de forma singular, intercalar factos de enorme
relevância histórica para a Humanidade, com a ficção que vai, paulatinamente,
imprimindo no seu discurso: «[…] o que
acontece na novela de Daniel de Sá é o equilíbrio perfeito entre o historiador
e os factos históricos e entre o ficcionista e a ficção.*».
Pela voz de
Aharon Csánady Halévy, ou melhor dito, pelas memórias do padecimento deste sobrevivente
ao Holocausto, Daniel de Sá parte para uma profunda análise sobre a
condição humana, sobre os limites de sofrimento que poderá um homem experienciar
no limite da sua vida, e sobre a implicação dos mesmos na sua existência posterior:
«A minha debilidade era tão grande que
julgava que morria a qualquer momento.».
O autor conduz-nos,
então, à reflexão sobre este padecimento através de um conjunto de memórias
escritas pelo próprio Aharon. Paradoxalmente, a personagem tê-las-á escrito
para delas se esquecer e, de alguma forma, se libertar de um passado medonho,
aceitando-o, irremediavelmente: «Um homem
não pode nunca esquecer voluntariamente. No entanto, eu quis fazê-lo, como quem
apaga umas páginas mal escritas, mas quanto mais tenta o esquecimento por
refúgio mais recorda o que não queria recordar.».
É notória na
personagem uma certa resiliência, uma aceitação de um passado que foi hediondo, e
uma consciência de que o mesmo lhe moldará sobremodo a existência, nos anos subsequentes
ao cativeiro. Percebe-se, ainda, que, só a aceitação imperativa desse passado,
permitirá uma vivência digna, ditosa e, de uma forma muito otimista, até,
feliz! «E, depois disto, talvez eu
consiga tocar violino novamente.».
Ademais, em E Deus Teve Medo de Ser Homem, Daniel de
Sá eterniza um extraordinário paralelo entre a humanidade separada por quase
dois milénios.
Valendo-se de
uma personagem mística – que afirma ser o próprio Filho de Deus – , o autor
produz um relato pautado ora pelo rigor, ora pela ficção, sobre o período de
pregação e morte do próprio Jesus Cristo. Se, nessa altura, os romanos foram
capazes das maiores crueldades, passados quase dois mil anos, os alemães Nazis
não se mostraram mais humanos do que os primeiros; se aqueles não revelaram
grande pudor em maltratar, perseguir e, até, crucificar judeus, sem quaisquer
evidências que o justificassem, estes mostraram-se completamente impiedosos,
frios e inumanos ao assassinarem mais de um milhão de judeus, só em Auschwitz. Uns mataram
pela cruz, outros valeram-se dos crematórios!
E Deus Teve Medo de Ser Homem é uma
novela absolutamente avassaladora, um retrato cru de dois períodos particularmente
negros desta humanidade em evolução. Decorrente da sua leitura, é
percetível o grotesco retrocesso civilizacional a que uma
mente brilhante, mas completamente perturbada, nos sujeitou, em meados do
século passado.
Contudo, e à custa
do padecimento brutal de todo um povo, desses já recuperámos, mas, até quando?
A terminar, deixo-vos
transcrita a INVOCAÇÃO que o próprio autor nos oferece:
«Nenhum livro fica completo sem o leitor. Dos
que já escrevi, este será, sem dúvida, o que mais há-de depender da maneira
como for lido para que tenha valido a pena escrevê-lo.»
*[1] Antunes,
Susana L. M. “E Deus Teve Medo de Ser Homem: Memória, Dor e Música em Daniel de
Sá.” Rememorando Daniel de Sá: Escritor
dos Açores e do Mundo Ver Açor, Lda. Ponta Delgada 2016
Telmo
R. Nunes
a 9
de novembro de 2016
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Uma dor tão desigual
Isto de optar
pela vivência mágica nas ilhas acarreta as suas desvantagens. Os livros, por
exemplo, chegam acompanhados pela demora da novidade. «Bom, esse é um livro
editado este mês. Já o encomendámos à editora, pelo que devemos estar prestes a
recebê-lo», o que na prática significa esperar por ele uns quinze a vinte dias,
pelo menos.
Não refilo,
nem tão-pouco fico chateado. Aprecio muito o esforço que as nossas livrarias
fazem por manter providos os anseios dos seus leitores. À distância de um
telefonema rápido, ‘encomendo-o’ à minha mãe que, por norma, compra um para si,
também, e recebo-o em dois ou três dias.
Com este foi
assim! Queria reencontrar o Nuno Camarneiro, o Gonçalo M. Tavares, o Richard
Zimler… Mas queria, sobretudo, ler sobre o “Jaca”, o personagem que empresta o
nome ao título do conto do ‘nosso’ Joel Neto. Queria saber por que razão havia
“Jaca” de integrar este rol de contos fabulosos, num projeto tão peculiar
quanto este, instigado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Estou feliz
porque não esperei. Em boa hora o ‘encomendei’ à minha mãe. Espero que, como
eu, também ela se tenha arrepiado ao lê-lo!
Telmo R. Nunes
17|outubro|2016
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