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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
In Açoriano Oriental
O Labirinto dos Espíritos
Voltei à grande ficção espanhola, e propus-me encerrar a leitura da tetralogia,O Cemitério dos Livros Esquecidos, iniciada em 2001, pelo autor catalão Carlos Ruiz Zafón. Depois de A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo e O Prisioneiro do Céu, Zafón brinda-nos com O Labirinto dos Espíritos, e encerra com chave de ouro uma das mais lidas e traduzidas sagas literárias contemporâneas. Neste tomo, o enredo revisita os locais mais recônditos e, de alguma forma, mais tenebrosos da cidade de Barcelona, e tem como ponto de partida a Guerra Civil espanhola, e a ascensão do “Generalíssimo” Franco, a Chefe do Estado-Maior. Como mote à narrativa, e numa mescla entre realidade e ficção, Zafón serve-nos uma Barcelona impiedosamente bombardeada pela aviação italiana – ao serviço do Exército Nacionalista espanhol –, em março de 1939, e, partindo daí, corporiza um extraordinário enredo sustentado em personagens fantásticas e por um discurso cáustico e profundamente crítico sobre a sociedade política que sustinha o antigo Regime franquista.
Voltei à grande ficção espanhola, e propus-me encerrar a leitura da tetralogia,O Cemitério dos Livros Esquecidos, iniciada em 2001, pelo autor catalão Carlos Ruiz Zafón. Depois de A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo e O Prisioneiro do Céu, Zafón brinda-nos com O Labirinto dos Espíritos, e encerra com chave de ouro uma das mais lidas e traduzidas sagas literárias contemporâneas. Neste tomo, o enredo revisita os locais mais recônditos e, de alguma forma, mais tenebrosos da cidade de Barcelona, e tem como ponto de partida a Guerra Civil espanhola, e a ascensão do “Generalíssimo” Franco, a Chefe do Estado-Maior. Como mote à narrativa, e numa mescla entre realidade e ficção, Zafón serve-nos uma Barcelona impiedosamente bombardeada pela aviação italiana – ao serviço do Exército Nacionalista espanhol –, em março de 1939, e, partindo daí, corporiza um extraordinário enredo sustentado em personagens fantásticas e por um discurso cáustico e profundamente crítico sobre a sociedade política que sustinha o antigo Regime franquista.
| Oferta da Planeta Editora |
Segundo crê o autor, nesse período histórico,“A meritocracia e o clima mediterrâneo são necessariamente incompatíveis (…)”, e, pela sua mão, são trazidos à montra atual toda a corrupção, nepotismo, opressão e amiguismo político, vividos à época. São expostas, ainda, todas as atrocidades que se cometiam, impunemente, em prol do “bem nacional”, com especial incidência para os crimes praticados pelos responsáveis pelo sistema judicial, conferindo o autor particular ênfase àqueles perpetrados nas entranhas da Cadeia de Montjuïc, o cárcere de quase todos os opositores políticos ao regime ditatorial do caudilho espanhol.
Neste romance, Zafón presenteia os seus leitores com aquele ambiente mágico de verdadeiro mistério e aventura que marcara, de forma indelével, os três volumes que lhe antecederam. Tal como nos outros, também aqui são criadas expetativas e lançados engodos aos leitores mais incautos, assim como são vários os momentos de dramatismo, sem esquecer, ainda, aquela comicidade fina já distintiva da sua narrativa, especialmente repercutida pela personagem de Firmín Romero de Torres, o autodenominado “assessor bibliográfico da Livraria Sempere”, e inveterado apreciador de Sugus.
Em O Labirinto dos Espíritos, estamos diante de uma trama riquíssima, apurada, pujante e perfeitamente coerente. É uma narrativa que, paulatinamente, vai desfiando outras pequenas narrativas e, à medida que desenvolve, vai encorpando e ganhando cada vez mais forma e sentido. Embora surjam novas personagens (algumas das quais personagens tipo, arrisco), muitas das que aqui encontramos são já nossas conhecidas dos romances que integram este ciclo. Não obstante, e tal como nos é recordado numa nota anterior ao texto, esta é “uma história fechada, independente e válida por si só”.
Carlos Ruiz Zafón afirma-se, cada vez mais, como um sério candidato a sucedâneo europeu de Gabriel García Márquez, no que à qualidade descritiva concerne. Se com o desenrolar de algumas das narrativas de Gabo é verdadeiramente possível ‘sentir na pele’ o calor tórrido da pequena aldeia de Macondo, ao ler Zafón não será menos provável perceber na tez a carícia da névoa densa e fria que, por muitas vezes, se abate sobre as Ramblas barcelonesas.
Telmo R. Nunes a 5 de fevereiro de 2017
Telmo R. Nunes a 5 de fevereiro de 2017
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
O rapaz do pijama às riscas, de John Boyne
Um tema interessante.
Uma perspectiva diferente, mais
ingénua, infantil, até, das atrocidades cometidas pelos comandos Nazis,
especialmente nos Campos de Concentração, onde foram dizimados milhares de
judeus.
Uma narrativa leve ao serviço de
acontecimentos deveras pesados. Seja talvez esta a principal mazela de todo o
texto, muito embora, outra característica que o torna num escrito frágil, será
a própria narração pobre em detalhe. Embora o escrito seja destinado a um
público mais jovem (7.º ano de escolaridade), creio que se pedia um pouco mais
de profundidade e minúcia.
Outro aspecto que considero relevante, passa pela desmedida quantidade de
repetições, seja de expressões, seja no campo lexical. O que uns considerarão
estilo, eu apelidaria de monotonia.
É recomendado pelo Plano
Nacional de Leitura Ler +
Honestamente, e exceptuando o
final inesperado, não me cativou nem um pouco.
Telmo R. Nunes
15/Agosto/10
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
Revisitei a bela Macondo!
Revisitei
a bela Macondo!
Aproveitei estes dias de frenética intensidade
laboral e, por necessidade cerebral, escapuli-me até esse fascinante povoado, perdido
algures na América do Sul.
Como
em qualquer outra viagem, e como qualquer outro turista, não deixei de reunir recordações
que, mais tarde, me permitirão revisitar, ainda que no âmbito da memória, esse
espaço e essas pessoas tão distintas, quão especiais.
A
viagem decorreu num ápice. Foi daquelas que, uma vez começada, não mais
queremos ver terminada. Desejamos que se alongue, que demore o mais possível, e
qualquer pretexto serve para a prolongar por mais um dia apenas; assim foi o
meu regresso às infernais temperaturas sul-americanas.
Antevira
que a jornada fosse um êxito já que, quem me conduziria, já o havia feito antes
por duas vezes e o resultado fora sempre excepcional: um verdadeiro gáudio à
alma; um regozijo!
A
realidade que reencontrei é substancialmente diferente da que me abraça quotidianamente,
mas é também incrivelmente parecida e é, por essa razão também, muito
deslumbrante. Um povoado pobre, paupérrimo, até, onde ainda se vê cinema a céu
aberto, onde o roubo de umas simples bolas de bilhar consegue paralisar “toda
uma gente”. Uma terra que pára, um povo que estagna apenas porque um estranho
acaba de desembarcar do comboio que há anos não deixava ninguém por “aquelas
bandas”. Um povo, auto-denomidado crente em Deus, mas que não frequenta a
igreja dada a insanidade mental do pároco. Autoridades locais que usam e abusam
do erário público para fins pessoais... Corrupção e pureza co-habitam
pacificamente na pequena Macondo, terra onde todos os habitantes se conhecem e onde
alguns até se identificam apenas pelo odor…
À
minha visita deu-se o acaso de assistir ao funeral mais sui generis (!) que alguma vez irei, por certo, presenciar. Morrera
a “Mamã Grande”, a soberana da localidade e “rainha da fantochada”! – Um
espanto!
Adorei
esta viagem! Aliás, gostei tanto que não posso deixar de a recomendar a todos
que ainda não tiveram a fabulosa oportunidade de voar pelas páginas de «Os
Funerais da Mamã Grande», uma recente descoberta do, cada vez mais
interessante, espólio do mágico, Nobel da Literatura, Gárcia Márquez.
A
todos boa viagem!
Telmo
R. Nunes
06/Novembro/2009
(imagens retiradas a partir de www.google.pt)
(imagens retiradas a partir de www.google.pt)
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
In Açoriano Oriental
- Se eu fosse Deus, não teria feito o Mundo assim.
(in E
Deus Teve Medo de Ser Homem)
Escrita pelo
professor Daniel de Sá, esta novela apresenta-se como um documento singular, factualmente
rico, e de tributo a um povo perseguido, humilhado e, repetidamente, dizimado! A
história do povo judeu é-nos aqui descrita em dois planos temporais distintos.
São relatados dois momentos históricos de persecução, de aniquilamento, de
subjugação.
Resistindo a
um arranjo cronológico fácil, Daniel de Sá intercala o seu relato,dando-nos
conta quer do extermínio judeu levado a efeito pelos alemães Nazis de Hitler,
em pleno Holocausto, ou «[…]“Shoa”, a
palavra hebraica que os Judeus, mais propriamente do que nós, usam para
designar o “Holocausto”, e que significa “Catástrofe”.», quer do
aniquilamento exercido pelos romanos, quase dois mil anos antes de II Grande
Guerra Mundial.
O autor centra
a ação da novela nas atrocidades cometidas no Campo de Concentração de
Auschwitz, e brinda-nos com um relato emocionado, vivo, comprometido com o
descrito, o que não deixa de ser revelador da sua enorme sensibilidade e
humanismo. Como referiu Joaquim Matos numa recensão à obra «Ele fala-nos das coisas como se as tivesse
vivido, como se as tivesse sentido em situações concretas, com as feridas delas
decorrentes ainda abertas, no corpo e na alma.».
Por outro
lado, Daniel de Sá consegue, de forma singular, intercalar factos de enorme
relevância histórica para a Humanidade, com a ficção que vai, paulatinamente,
imprimindo no seu discurso: «[…] o que
acontece na novela de Daniel de Sá é o equilíbrio perfeito entre o historiador
e os factos históricos e entre o ficcionista e a ficção.*».
Pela voz de
Aharon Csánady Halévy, ou melhor dito, pelas memórias do padecimento deste sobrevivente
ao Holocausto, Daniel de Sá parte para uma profunda análise sobre a
condição humana, sobre os limites de sofrimento que poderá um homem experienciar
no limite da sua vida, e sobre a implicação dos mesmos na sua existência posterior:
«A minha debilidade era tão grande que
julgava que morria a qualquer momento.».
O autor conduz-nos,
então, à reflexão sobre este padecimento através de um conjunto de memórias
escritas pelo próprio Aharon. Paradoxalmente, a personagem tê-las-á escrito
para delas se esquecer e, de alguma forma, se libertar de um passado medonho,
aceitando-o, irremediavelmente: «Um homem
não pode nunca esquecer voluntariamente. No entanto, eu quis fazê-lo, como quem
apaga umas páginas mal escritas, mas quanto mais tenta o esquecimento por
refúgio mais recorda o que não queria recordar.».
É notória na
personagem uma certa resiliência, uma aceitação de um passado que foi hediondo, e
uma consciência de que o mesmo lhe moldará sobremodo a existência, nos anos subsequentes
ao cativeiro. Percebe-se, ainda, que, só a aceitação imperativa desse passado,
permitirá uma vivência digna, ditosa e, de uma forma muito otimista, até,
feliz! «E, depois disto, talvez eu
consiga tocar violino novamente.».
Ademais, em E Deus Teve Medo de Ser Homem, Daniel de
Sá eterniza um extraordinário paralelo entre a humanidade separada por quase
dois milénios.
Valendo-se de
uma personagem mística – que afirma ser o próprio Filho de Deus – , o autor
produz um relato pautado ora pelo rigor, ora pela ficção, sobre o período de
pregação e morte do próprio Jesus Cristo. Se, nessa altura, os romanos foram
capazes das maiores crueldades, passados quase dois mil anos, os alemães Nazis
não se mostraram mais humanos do que os primeiros; se aqueles não revelaram
grande pudor em maltratar, perseguir e, até, crucificar judeus, sem quaisquer
evidências que o justificassem, estes mostraram-se completamente impiedosos,
frios e inumanos ao assassinarem mais de um milhão de judeus, só em Auschwitz. Uns mataram
pela cruz, outros valeram-se dos crematórios!
E Deus Teve Medo de Ser Homem é uma
novela absolutamente avassaladora, um retrato cru de dois períodos particularmente
negros desta humanidade em evolução. Decorrente da sua leitura, é
percetível o grotesco retrocesso civilizacional a que uma
mente brilhante, mas completamente perturbada, nos sujeitou, em meados do
século passado.
Contudo, e à custa
do padecimento brutal de todo um povo, desses já recuperámos, mas, até quando?
A terminar, deixo-vos
transcrita a INVOCAÇÃO que o próprio autor nos oferece:
«Nenhum livro fica completo sem o leitor. Dos
que já escrevi, este será, sem dúvida, o que mais há-de depender da maneira
como for lido para que tenha valido a pena escrevê-lo.»
*[1] Antunes,
Susana L. M. “E Deus Teve Medo de Ser Homem: Memória, Dor e Música em Daniel de
Sá.” Rememorando Daniel de Sá: Escritor
dos Açores e do Mundo Ver Açor, Lda. Ponta Delgada 2016
Telmo
R. Nunes
a 9
de novembro de 2016
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Uma dor tão desigual
Isto de optar
pela vivência mágica nas ilhas acarreta as suas desvantagens. Os livros, por
exemplo, chegam acompanhados pela demora da novidade. «Bom, esse é um livro
editado este mês. Já o encomendámos à editora, pelo que devemos estar prestes a
recebê-lo», o que na prática significa esperar por ele uns quinze a vinte dias,
pelo menos.
Não refilo,
nem tão-pouco fico chateado. Aprecio muito o esforço que as nossas livrarias
fazem por manter providos os anseios dos seus leitores. À distância de um
telefonema rápido, ‘encomendo-o’ à minha mãe que, por norma, compra um para si,
também, e recebo-o em dois ou três dias.
Com este foi
assim! Queria reencontrar o Nuno Camarneiro, o Gonçalo M. Tavares, o Richard
Zimler… Mas queria, sobretudo, ler sobre o “Jaca”, o personagem que empresta o
nome ao título do conto do ‘nosso’ Joel Neto. Queria saber por que razão havia
“Jaca” de integrar este rol de contos fabulosos, num projeto tão peculiar
quanto este, instigado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Estou feliz
porque não esperei. Em boa hora o ‘encomendei’ à minha mãe. Espero que, como
eu, também ela se tenha arrepiado ao lê-lo!
Telmo R. Nunes
17|outubro|2016
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
A Vida no Campo, de Joel Neto
Como Torga
conseguiu engarrafar o sol que brilha sobre o “rio de oiro”, também Joel Neto
conseguiu aprisionar em, “A Vida no Campo”,
a essência da ilha, a essência de todo um arquipélago e de tudo isto a que,
comummente, designamos por ser ilhéu!
Tal como o
fizera em “Arquipélago”, o autor volta
a engalanar a ilha. Por ele, e valendo-se da sua escrita – aparentemente
simples e escorreita –, a Terceira torna-se ainda mais bela e apetecível:
«Viemos por quatro ou cinco anos e, agora,
quatro ou cinco anos não vão bastar.»
Cada entrada
deste diário surge-nos como um retrato pictórico altamente contagiante e
esteticamente belo, sem abdicar, jamais, de um realismo e veracidade ímpares,
do que será a vivência quotidiana no Lugar dos Dois Caminhos, na ilha Terceira:
«Se me
pedirem para reduzir ao essencial a diferença entre o campo e a cidade, então
aí está ela: o efeito que tem em nós uma sirene no horizonte. Na cidade, é
apenas mais uma sirene. Aqui, há uma boa hipótese de se tratar de alguém que
conhecemos, talvez até de alguém que estimamos.»
O seu ato discursivo, verdadeiramente
apaixonado e completamente comprometido com a ilha, não deixa de ser revelador
do longo êxodo a que o autor se viu sujeito. Dir-se-á que o seu regresso é aqui
amplamente festejado, mesmo sem o ser verdadeiramente:
«Mas comê-la [alcatra] na cozinha da infância, servida desta vez
não a um filho de visita mas a um filho regressado, foi como começar de novo.
Sabia-me a terramotos e a redenção.», ou ainda, «Tornei-me um turista em Lisboa e, de súbito, Lisboa ficou linda.»
Pela sua
capacidade insigne de mapear sentimentos, pela aptidão em transformar casuais
reencontros em quadros verdadeiramente afetivos, pela forma como o próprio
autor se oferece à ilha – aos seus costumes e tradições –, não será, pois, desacertado
afirmar-se que Joel Neto está indelevelmente ligado à sua própria ilha, e ainda
bem, arrisco!
Com as devidas
cautelas e distanciamentos que a geografia literária impõe, talvez os mais afoitos
possam agora afirmar que, com o livro em punho, sair-se da ilha não mais seja a
pior forma de nela ficar: poderemos agora levá-la connosco, transportá-la um
pouco mais próximo do coração, à distância de uma leitura fugaz, arrebatada e,
porque não, apaixonada!
Ao autor, os
meus parabéns!
Vale a pena ler autores açorianos!
quarta-feira, 13 de julho de 2016
Lançamento da obra "Vida do Campo"
Uma vez mais, os meus parabéns à livraria Leya Solmar pela promoção
deste evento – apresentação do livro “Vida no Campo” – e, claro está, ao
Joel Neto pelo excelente trabalho desenvolvido! (Por comodidade, pelos
11 min...)
Clicar aqui:
terça-feira, 21 de junho de 2016
De novo o ProSucesso
A propósito
da publicação do Despacho Normativo n.º22/2016 de 17 de Junho de 2016, onde a
Secretaria Regional de Educação e Cultura dos Açores regulamenta o programa
“Apoio mais – retenção zero”, e porque se considera, uma vez mais, que assim se
estão “a preparar cidadãos do século XXI”, reitero o que escrevi em maio de
2015, aquando a discussão pública do Plano Integrado de Promoção do Sucesso
Escolar - ProSucesso:
“(…)
Enquadrado neste primeiro eixo, os autores partem da premissa de que “As
dificuldades de aprendizagem conduzem (…) ao insucesso escolar, à retenção e ao
consequente (…) desinteresse por parte dos alunos com desempenhos mais fracos,
com o risco de posterior abandono escolar (…) ”, para se concluir que “a
retenção per se não é uma estratégia efetiva de intervenção no sentido de
melhorar os resultados (…) a retenção não aparenta beneficiar os alunos a nível
académico”. Neste sentido, sugere o documento que a retenção seja utilizada
apenas em casos extremos. Ao contrário do que se afirma, a retenção pode e deve
funcionar como agente dissuasor de comportamentos de risco, como sejam a falta
de estudo e/ou comportamentos desviantes dos ditos regulares. Um discente terá
de ter sempre presente que, se não cumprir com as suas obrigações, correrá o
risco de ficar retido. Não esqueçamos nunca que a função da escola não se
esgota na mera transmissão de conteúdos; nela o aluno deverá encontrar
mecanismos que possibilitem a sua formação enquanto cidadão cumpridor e
responsável, integrado numa sociedade onde terá de assumir todas as
consequências dos seus atos. Por conseguinte, refuto por completo o programa
“apoio mais – retenção zero”, proposto pelo documento no rol de projetos
específicos.(…)”
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